Biggs fecha acordo para voltar à Inglaterra

Ronald Biggs volta para a Inglaterra após fechar com o jornal popular The Sun um acordo capaz de garantir sua saúde financeira até o fim da vida, revelou hoje um biógrafo do famoso ladrão refugiado no Brasil. Mas depois de sofrer três acidentes vasculares cerebrais, o dinheiro de sua participação no célebre assalto ao trem pagador, em 1963, estaria acabando. Em Londres, além da bolada que vai ganhar do tablóide, ele terá direito a tratamento médico gratuito pelo Serviço Nacional de Saúde e a uma pensão.Biggs negociou com The Sun, o jornal diário mais vendido na Grã-Bretanha (quase 4 milhões de exemplares por dia), antes mesmo de mandar um e-mail para a Scotland Yard, a polícia britânica, pedindo passaporte e manifestando a intenção de se entregar.Hoje, o The Sun anunciou, em manchete descrita como "furo mundial": "Estamos a Caminho - jatinho do Sun decola para trazer Biggs de volta para a Justiça", acompanhada de foto do avião fretado para transportar o bandido. A bordo, seguiram um repórter especial do jornal, o editor de polícia e Bruce Reynolds, autor intelectual do assalto ao trem: "Chegou a hora de Biggs ouvir a música e dançar", ironizou seu ex-comparsa.O jornal, de propriedade do magnata da mídia Rupert Murdoch, australiano naturalizado britânico, tenta apresentar a história aos britânicos como uma ação espetacular para pôr na cadeia um criminoso procurado há décadas. Mas nem todos estão convencidos de que The Sun esteja fazendo um ato de benemerência. A notícia da volta de Biggs ofuscou uma entrevista exclusiva da atriz Nicole Kidman sobre seu divórcio de Tom Cruise, publicada pelo Daily Mirror, seu maior concorrente.Outro tablóide, o moralista Daily Mail, o jornal favorito das mulheres da classe média britânica, denunciou a manobra afirmando que o governo britânico deveria negar a concessão de passaporte ao ladrão.Em artigo intitulado ´Deixem Biggs apodrecer no Rio´, o Mail alegou que o único motivo de sua rendição é sua lamentável situação financeira. Segundo o tablóide, o tratamento de Biggs vai custar 40 mil libras (cerca de R$ 120 mil) por ano aos contribuintes britânicos.O artigo descreve as belezas do Rio de Janeiro e da arquitetura colonial de Santa Tereza. Mas observa que o Brasil não tem um sistema de assistência médica gratuita que pague o tratamento do bandido e que logo ali, perto da casa de Biggs, há uma série de favelas onde a vida é sórdida e miserável. Para o Mail, o destino final de Biggs deveria ser a falência e a condenação a morar numa favela, onde as condições de vida são muito piores do que as de uma prisão na Inglaterra, sobretudo de um hospital-prisão, onde o bandido deve passar o fim dos seus dias.

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