Bilionário russo deve ser eleito líder de partido

O partido russo Pravoe Delo (Causa Justa) deve eleger neste sábado o bilionário Mikhail Prokhorov como seu líder, com a missão de desafiar o domínio do Rússia Unida, de Vladimir Putin. Os delegados do partido participam de um congresso extraordinário em Moscou e, em votação secreta, devem eleger Prokhorov, que não tem adversários, como seu novo líder no final desta tarde.

AE, Agência Estado

25 de junho de 2011 | 15h50

Em discurso aos participantes do congresso antes do início da votação, Prokhorov estabeleceu como meta levar o partido para o Parlamento nas eleições de dezembro e, eventualmente, retirar o Rússia Unida de sua posição de supremacia. "Nós devemos agir como uma parte responsável do poder", disse Prokhorov aos participantes do evento, que foi transmitido ao vivo pela televisão. "Precisamos chegar ao Parlamento. Num futuro próximo, como o segundo maior partido e então como o primeiro."

Ele admitiu que seu alvo é o Rússia Unida, que domina a Duma, a câmara baixa do Parlamento, e não sofre ameaça dos três insípidos partidos de oposição. "Nós temos pluralidade de partidos políticos na Rússia? Claro que não. Tem de haver pelo menos dois lados do poder", disse Prokhorov. "Qualquer monopólio político é nosso principal oponente. Está claro até nos livros escolares que o monopólio é o inimigo do desenvolvimento."

Sua eleição representará a primeira vez que um importante empresário entra para a política desde a prisão, em 2003, do magnata Mikhail Khodorkovsky, cujos partidários dizem que foi punido por se atrever a financiar a oposição a Putin. Uma votação rápida também terá de ser realizada para a entrada de Prokhorov no partido, do qual não é integrante.

Promovendo uma agenda de reformas econômicas radicais, Prokhorov afirmou que "todos estão cansados de slogans. E o que todos devemos fazer é responder uma simples questão: o que tem de ser feito?" Prokhorov disse neste mês que o modo de gestão da última década "já se exauriu" e emitiu uma rara expressão de simpatia a Khodorkovsky.

Mas analistas lembram que o presidente Dmitry Medvedev parece mais do que feliz com o envolvimento de Prokhorov na política e que ele ainda tem de fazer críticas diretas a Putin ou ao Kremlin.

Segundo o jornal diário de negócios Vedomosti, Prokhorov reuniu-se individualmente com Putin e Medvedev antes de concordar em participar do partido. O congresso do partido foi transmitido ao vivo pela emissora estatal de televisão russa, cobertura impensável para políticos mais explicitamente contrários ao Kremlin como o ex-ministro Boris Nemtsov e o ex-campeão de xadrez Garry Kasparov.

Prokhorov deu a entender que não tem tempo para essas pessoas e que não quer sequer que seu novo partido seja conhecido como uma força opositora. "Eu sugiro a exclusão da palavra oposição de nosso dicionário. Para nossos cidadãos, a palavra oposição é associada não a partidos políticos, mas a grupos marginais que há muito tempo perderam a ligação com a realidade."

Neste ano, Prokhorov foi colocado na terceira colocação no ranking dos homens mais ricos da Rússia pela revista Forbes, com uma fortuna estimada em US$ 18 bilhões. Ele lidera o grupo Onexim, uma empresa de investimento com grandes interesses em mineração, tecnologia, mídia e bancos. As informações são da Dow Jones.

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