Ed Hille/The Philadelphia Inquirer via AP
Ed Hille/The Philadelphia Inquirer via AP

Bill Clinton discute com manifestantes durante comício de campanha de Hillary na Filadélfia

Manifestantes negros do grupo 'Black Lives Matter' questionaram lei assinada por Bill quando era presidente e o uso do termo "superpredadores" por Hillary para se referir a alguns jovens negros

O Estado de S. Paulo

08 Abril 2016 | 09h51

WASHINGTON - O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, marido da atual pré-candidata presidencial democrata Hillary Clinton, se envolveu na quinta-feira, 7, em uma discussão com um grupo de manifestantes negros pertencentes ao grupo "Black Lives Matter" ("Vidas Negras Importam", em tradução livre) durante um comício de campanha de sua esposa na Filadélfia.

Os integrantes do movimento, criado em razão dos sucessivos episódios de violência policial contra os negros que ganharam notoriedade pública durante os últimos anos nos EUA, se manifestam habitualmente e interrompem os discursos de todos os candidatos, tanto democratas como republicanos.

Clinton os respondeu em público, o que aqueceu ainda mais os ânimos e deu início a uma discussão de cerca de 15 minutos durante os quais o ex-presidente se mostrou muito crítico com os manifestantes e estes reprovaram várias vezes que sua esposa tivesse utilizado o termo "superpredadores" para se referir a alguns jovens negros.

"Os jovens negros não são superpredadores!" gritaram os manifestantes a Bill, resgatando o adjetivo que Hillary usou quando era primeira-dama em 1996 durante um discurso sobre violência juvenil, e também exibiram cartazes que diziam: "Hillary é uma assassina".

Os integrantes do movimento negro também recriminaram Clinton por ele ter assinado uma lei quando era presidente contra as organizações criminais que, na opinião dos manifestantes, levou ao encarceramento de mais gente inocente e com penas mais longas.

Após as interrupções, Bill Clinton, visivelmente incomodado, respondeu: "Vocês estão defendendo as pessoas que acabam com as vidas que vocês dizem que importam!". "Eu gosto de manifestantes, mas aqueles que não deixam você responder é porque têm medo da verdade", se queixou o ex-presidente.

"Falei com muitos grupos de afro-americanos. Eles achavam que as vidas negras importavam, e apoiaram a lei porque diziam que seus filhos estavam morrendo na rua pelos tiros das gangues. Havia crianças de 13 anos planejando seus próprios funerais", acrescentou Clinton, que ocupou a presidência dos Estados Unidos entre 1993 e 2001.

Quanto ao uso do termo "superpredadores" usado por sua esposa em 1996, Bill Clinton afirmou que não sabe como os manifestantes iriam se referir aos "líderes de gangues que introduziam crianças de 13 anos no mundo do crack e os enviavam às ruas para matar outros afro-americanos". "Talvez eles achem que eram bons cidadãos. Ela (Hillary Clinton), não", reforçou o ex-mandatário. / EFE

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