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Bin Laden considerava que a Al-Qaeda ia de mal a pior, revelam documentos

Preocupação. EUA lembram hoje o 1º aniversário da missão que matou o terrorista saudita e divulgam esta semana papéis apreendidos na casa em que ele se escondia no Paquistão; para analistas, ramificações da rede ainda ameaçam países ocidentais

O Estado de S.Paulo

01 Maio 2012 | 03h06

WASHINGTON - Documentos apreendidos na casa de Osama bin Laden mostram que o terrorista saudita, morto em uma ação americana há exatamente um ano, considerava que a Al-Qaeda ia de mal a pior. John Brennan, principal conselheiro da Casa Branca para contraterrorismo, anunciou na segunda-feira, 30, que os EUA divulgarão esta semana os documentos achados na casa onde ele foi morto na cidade de Abbottabad, no Paquistão.

 

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"Nos documentos que apreendemos, (Bin Laden) admitia um desastre atrás de outro", disse Brennan, ao anunciar que o material será divulgado na internet pelo Centro de Combate ao Terrorismo de West Point. Segundo ele, analistas de inteligência constataram que a Al-Qaeda teve dificuldades para substituir os comandantes que morreram nos ataques lançados pelos EUA. As coisas iam tão mal que Bin Laden pensou em mudar o nome de sua organização.

"Bin Laden estava preocupado, por exemplo, com o surgimento de líderes que não eram tão experientes, que podiam levar a novos erros", afirmou Brennan. "Um ano depois de o ataque americano ter matado Bin Laden, a Al-Qaeda está capenga demais, por enquanto, para realizar outro ataque ao estilo do 11 de Setembro em solo americano".

Sonho com vingança

 

No entanto, a rede ainda sonha com vingança e autoridades americanas advertem que, com o tempo, suas ramificações poderão atacar novamente. Uma década de guerras no Iraque e no Afeganistão, que custou aos EUA cerca de US$ 1,28 trilhão e 6,3 mil vidas de soldados americanos, obrigou as filiais da Al-Qaeda a se reagruparem, do Iêmen ao Iraque. Acredita-se que o braço direito de Bin Laden, Ayman al-Zawahiri, esteja escondido e fora de alcance nas montanhas do Paquistão, como fez Bin Laden durante vários anos.

"É ingenuidade dizer que a Al-Qaeda está à beira da derrota", diz Seth Jones, analista da Rand e consultor das forças de operações especiais dos EUA. "Eles aumentaram sua presença global, o número de ataques de suas filiais cresceu e, em alguns lugares, como o Iêmen, expandiram seu controle territorial."

Esse é um quadro complicado e um confuso para os americanos entenderem. Autoridades americanas dizem que a equipe de Bin Laden está quase desmantelada, mas afirmam que novas ramificações estão atingindo alvos de aliados dos americanos no exterior e ainda tentam um ataque similar ao 11 de Setembro. O mais letal desses grupos está no Iêmen.

Alerta

 

Brennan diz que não há nenhum sinal de um complô de vingança ativo contra alvos dos EUA, mas cidadãos americanos no Paquistão e em outros lugares estão sendo prevenidos para ficarem alertas no aniversário da operação que matou Bin Laden, um de seus filhos, dois mensageiros e suas mulheres.

A última visão que os americanos tiveram do mentor dos ataques do 11 de Setembro foi a de um velho encarquilhado, enrolado num lençol, sentado diante de um televisor velho. O mundo talvez nunca veja uma prova fotográfica de sua morte. O juiz americano James E. Boasberg decidiu, na semana passada, que o governo de Barack Obama não é obrigado a entregar as imagens feitas do terrorista durante e após o ataque.

 

Com AP e AFP

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