Bin Laden convoca ''guerra santa'' contra Israel

Líder da Al-Qaeda pede que muçulmanos lutem em Gaza para acabar com agressão israelense

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

15 de janeiro de 2009 | 00h00

O líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, convocou ontem os muçulmanos para uma jihad (guerra santa) na Faixa de Gaza com o objetivo de "acabar com a agressão dos israelenses" e condenou o "conluio" da maioria dos líderes árabes com a guerra. O discurso foi registrado em um arquivo de áudio de 20 minutos, que acabou distribuído por vários sites jihadistas."Estamos com vocês e não os deixaremos para trás. Nosso destino está atrelado ao de vocês na luta contra a coalizão de cruzados e judeus. Nossa luta continuará até a vitória ou o martírio", afirma Bin Laden. O terrorista saudita pede ainda doações em prol da causa palestina e questiona se os EUA suportariam mais tempo de combate no Iraque e no Afeganistão. "Evidências mostram que não." "(George W. Bush) deixou uma pesada herança para seu sucessor (Barack Obama). Um legado de longa guerra de guerrilha, contra um paciente e teimoso inimigo."Segundo a Casa Branca, a nova gravação de Bin Laden é verdadeira, mas demonstra que o líder terrorista está "isolado". "Ele tenta continuar sendo relevante num momento em que sua ideologia, missão e agenda vêm sendo questionadas", disse o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe.Funcionários americanos acreditam que Bin Laden e outros líderes da Al-Qaeda foram enfraquecidos pela pressão militar nas áreas na fronteira entre Paquistão e Afeganistão, onde eles estariam escondidos.Apesar da retórica incendiária, a Al-Qaeda nunca lançou ataques em Israel ou mesmo na Cisjordânia e em Gaza. O apoio ao grupo no mundo islâmico minguou nos últimos anos, principalmente por causa dos ataques contra muçulmanos no Iraque. Ao mesmo tempo, os xiitas do Irã e do grupo libanês Hezbollah tornaram-se símbolos da luta contra os israelenses. Bin Laden e a rede terrorista são sunitas e consideram os iranianos e o Hezbollah inimigos.O Hamas - também sunita - tem ligações fortes com o Hezbollah e o Irã, mas não há indícios de que o grupo tenha contato com a Al-Qaeda. A principal preocupação em Israel não é a Al-Qaeda, mas Teerã e o grupo libanês. Entre israelenses, declarações do xeque Hassan Nasrallah, líder do grupo xiita libanês, provoca muito mais tensão do que as de Bin Laden.

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