Bin Laden declara guerra a Musharraf

Líder da Al-Qaeda chama presidente paquistanês de ?infiel? e promete vingar morte de clérigo da Mesquita Vermelha

AP, REUTERS E AFP, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2021 | 00h00

O líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, pediu aos paquistaneses que lancem uma "guerra santa" contra o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf. Em gravação divulgada ontem no site islâmico As-Sahab, Bin Laden prometeu vingança contra o "infiel" Musharraf pela morte de um líder religioso radical e o ataque das forças de segurança contra sua mesquita em Islamabad, em julho. "Nós, da Al-Qaeda, pedimos a Deus que testemunhe nossa retaliação pelo sangue de Abdul Rashid Ghazi, dirigida contra Musharraf e os que o ajudaram", ameaçou Bin Laden na gravação de 23 minutos, segundo o Instituto Site, de Washington, que analisa mensagens terroristas. O áudio é acompanhado de um vídeo com imagens dos líderes da Al-Qaeda e de ataques que o grupo diz ter cometido."É obrigatório para os muçulmanos no Paquistão conduzir uma jihad (guerra santa) e lutar para remover Musharraf, seu governo, seu Exército e todos aqueles que o ajudaram", disse o líder terrorista. Mais de cem seguidores do clérigo radical foram mortos durante o cerco e o assalto à Mesquita Vermelha. O grupo de Abdul Rashid Ghazi é partidário do Taleban, movimento radical islâmico que foi deposto do poder no Afeganistão em 2001 por forças internacionais lideradas pelos EUA. Os estudantes islâmicos haviam iniciado uma campanha "pelos bons costumes" em Islamabad. Eles chegaram a fechar lojas de DVD e a seqüestrar prostitutas.Na gravação, divulgada em inglês, além de urdu e pashtun (as principais línguas no Paquistão e Afeganistão), Bin Laden disse que Ghazi e seus seguidores foram assassinados por querer cumprir a Sharia (lei islâmica) e condenou Musharraf por aliar-se aos EUA na luta contra a Al-Qaeda. Os líderes da rede terrorista já pediram várias vezes uma rebelião contra Musharraf e a mensagem de Bin Laden deve reforçar o apelo contra o presidente, que já sofreu dois atentados.A ameaça de Bin Laden também provocou o temor de intensificação da onda de ataques de militantes no Paquistão, que vive sua pior crise política em oito anos. A Al-Qaeda divulgou a gravação horas após o governo anunciar que a eleição presidencial será realizada em 6 de outubro. Musharraf concorrerá a um segundo mandato, apesar dos protestos da oposição, que exige que ele deixe a chefia do Exército antes da eleição - conduzida pelo Parlamento e pelas assembléias provinciais. O presidente paquistanês prometeu que, se reeleito, deixará a farda antes de 15 de novembro, quando vence seu atual mandato, e assumirá como um líder civil.A popularidade de Musharraf caiu após o assalto à Mesquita Vermelha e a suspensão, em março, do juiz-chefe da Corte Suprema, Iftikhar Chaudhry - que acabou sendo reintegrado ao cargo, em um duro revés para o presidente. No entanto, Musharraf tem maioria suficiente para ser reeleito pelo atual Parlamento, que será renovado em 2008.A ameaça de Bin Laden ocorre em meio uma onda de seqüestros de soldados e ataques contra as tropas paquistanesas nas áreas tribais do Paquistão, onde funcionários americanos acreditam que os líderes da Al-Qaeda estejam escondidos.Musharraf - que tomou o poder num golpe em 1999 e tornou-se um importante aliado dos EUA após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 - não se pronunciou sobre a ameaça de Bin Laden. Mas o general Waheed Arshad, porta-voz do Exército, prometeu prosseguir com a campanha militar contra os militantes da Al-Qaeda e do Taleban. "Tais ameaças por vídeo ou outros meios não podem deter-nos", disse. "Já estamos envolvidos na luta contra os extremistas e os terroristas e isso (a ameaça) não muda nossa política." Sob pressão dos EUA e da Grã-Bretanha, Musharraf intensificou nos últimos meses suas operações militares contra os combatentes islâmicos e enviou mais de 90 mil soldados ao longo da fronteira com o Afeganistão. Mas pelo menos mil soldados paquistaneses já foram mortos.

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