Bin Laden declara guerra ao presidente do Paquistão

Em áudio divulgado na internet, líder da Al-Qaeda chama Musharraf de infiel por cerco à Mesquita Vermelha

Associated Press e Agência Estado,

20 de setembro de 2007 | 11h49

O líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, encorajou os paquistaneses a se rebelarem contra o presidente do país, Pervez Musharraf, numa nova fita de áudio, alegando que o cerco militar a uma mesquita dominada por militantes este ano o tornou um infiel.   Veja também:  Faça o download do vídeo no site de Laura Mansfield   Al-Qaeda pede fim da influência européia na África muçulmana  Al-Qaeda declara guerra ao presidente paquistanês     A tomada da Mesquita Vermelha em Islamabad em julho, que resultou na morte de mais de 100 pessoas, "demonstra a insistência de Musharraf de continuar com sua lealdade, subserviência e colaboração com os EUA contra os muçulmanos (...) e torna uma rebelião armada contra ele e sua remoção obrigatórias", afirma Bin Laden na fita.   "Portanto, quando a capacidade está lá, é obrigatório se rebelar contra o governante apóstata, como é nesse caso", acrescentou, segundo transcrição do áudio da fita divulgada por Laura Mansfield, uma especialista americana em terrorismo que monitora mensagens militantes em sites na internet.   A mensagem, intitulada "Venha para a Jihad", foi a terceira de Bin Laden este mês, marcando o sexto aniversário dos ataques de 11 de Setembro contra os EUA.   Mais cedo, a Al-Qaeda havia divulgado um vídeo, no estilo de um documentário, de 80 minutos, com declarações do vice de Bin Laden, o médico egípcio Ayman al-Zawahri, que alardeou que os Estados Unidos estavam sendo derrotados no Afeganistão, no Iraque e em outras frentes pelos islâmicos.   Mesquita Vermelha   O Exército do Paquistão invadiu a Mesquita Vermelha em julho, matando pelo menos 102 pessoas, entre elas o líder militante Abdul Rashid Ghazi. Depois da invasão, islâmicos lançaram uma série de atentados suicidas a bomba em retaliação.   Em sua fita de áudio, Bin Laden diz que Ghazi e seus seguidores foram mortos por buscarem a aplicação da Sharia, a lei islâmica, e condenou Musharraf por se aliar aos EUA na luta contra a Al-Qaeda. Ele referiu-se a fatwas, ou éditos religiosos, de clérigos muçulmanos radicais atestando ser uma obrigação derrubar governantes infiéis.   "Portanto Pervez, seus ministros, seus soldados e aqueles que o ajudam são todos cúmplices no derramamento de sangue daqueles muçulmanos mortos. Aquele que colabora com ele conscientemente e por vontade própria é um infiel como ele," diz Bin Laden.   Reação   Em Islamabad, um porta-voz do Exército, major-general Waheed Arshad, afirmou que "tais ameaças divulgadas por vídeos ou de qualquer outra forma não irão impedir que cumpramos nossa obrigação nacional".   "Temos o objetivo, como dever nacional, de eliminar os terroristas e erradicar o extremismo", acrescentou.   Acredita-se que Bin Laden e al-Zawahiri estejam escondidos em algum lugar da remota e escarpada região de fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão. Analistas suspeitam que eles tenham conseguido reconstituir o núcleo de liderança da rede extremista Al-Qaeda.   Líderes da Al-Qaeda já haviam anteriormente exortado os paquistaneses a se rebelarem contra Musharraf, que sobreviveu a quatro tentativas de assassinato desde 2002. Mas a declaração de guerra de Bin Laden vem num momento de particular instabilidade no Paquistão e aparente fragilidade de Musharraf.

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