Bin Laden deve deixar Afeganistão, decide conselho

Clérigos islâmicos do Afeganistão encorajaram o terrorista saudita Osama bin Laden a deixar o país voluntariamente. De acordo com a Bakhtar, a agência de notícias oficial do Taleban, milícia islâmica que governa o Afeganistão, "a Ulema (conselho de clérigos islâmicos) quer que o emirado do Afeganistão encoraje Osama a deixar o país por livre e espontânea vontade".A declaração transmitida pela Bakhtar foi anunciada ao final de um encontro de dois dias de centenas de clérigos islâmicos que foram convocados a Cabul pelo governo Taleban para decidir sobre as exigências dos Estados Unidos de entregar Bin Laden, suspeito de ser o mentor dos atentados realizados nos Estados Unidos na semana passada.Pela decisão, o Afeganistão está preparado para declarar uma guerra santa contra os Estados Unidos, caso tropas americanas invadam o país. "Se uma nação poderosa ataca uma nação fraca, será então a jihad (guerra santa) para todos os muçulmanos. Quando um país não-islâmico ataca um país islâmico, é a jihad", disseram os clérigos.Desde que tomou o governo do Afeganistão, a milícia Taleban declarou guerras santas contra a Rússia e o Irã, mas nunca contra os Estados Unidos.Os clérigos ainda disseram que a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização da Conferência Islâmica, uma entidade formada por 52 nações muçulmanas, devem investigar as acusações sobre Bin Laden e exigir que as forças americanas não ameacem as vidas de civis no Afeganistão. "Não matem pessoas inocentes", disseram os líderes religiosos na declaração.Perguntado sobre a decisão do conselho, um dos clérigos, Mohammed Naseer, disse em entrevista à Associated Press que o objetivo é "encontrar uma decisão que salve o país e resolva o problema de nosso hóspede (Bin Laden)".O Taleban deve apoiar a decisão, mas ainda não se sabe se Bin Laden irá mesmo deixar o país, onde ele está estabelecido desde 1996. As autoridades islâmicas não definiram um prazo para Bin Laden deixar o país e não se sabe se a decisão será suficiente para evitar um ataque militar dos Estados Unidos.A decisão também não indicou se os seguidores de Bin Laden dentro do mundo islâmico também devem deixar o Afeganistão.

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