Bin Laden é um Robin Hood para muitos islâmicos

A imagem do milionário saudita Osama bin Laden está assumindo em muitos países islâmicos contornos de um autêntico "Robin Hood", um justiceiro da causa árabe. Na ruas do Cairo e Jedá, a cidade natal de Bin Laden - que é considerado pelos EUA como o inimigo maior do mundo ocidental -, ele não tem o semblante satânico que lhe atribui a imprensa norte-americana e européia, como constataram enviados da rede BBC ao Oriente Médio.O terrorista assume, quase por passe de mágica, o perfil de justiceiro, o Robin Hood da Arábia, o moderno sultão egípcio Saladino ou o "Che" Guevara do século 21, como constataram enviados da rede BBC ao Oriente Médio.O milionário saudita é considerado um exemplo do Islã e da causa árabe por muitos cidadãos comuns da Arábia Saudita, apesar de ele ter sido privado dessa nacionalidade.Em alguns setores da população de vários países do Oriente Médio, Bin Laden se transformou num ídolo, já que é o único - segundo essa visão - que se atreveu a dar um duro golpe na superpotência mundial.Os árabes que o vêem como um herói, o anjo vingador das ofensas, reais ou presumíveis, sofridas pelos muçulmanos nas mãos do Ocidente, aumentam a cada dia.Também cresce diariamente, em alguns países de forma mais acentuada, o número dos que vêem a provável represália norte-americana contra o Afeganistão não como um golpe contra o terrorismo, mas uma ação armada contra o Islã.Milhões de árabes acompanharam na quinta-feira passada pela televisão uma entrevista concedida pelo terrorista há três anos, uma audiência muito elevada se, entre outras coisas, se considerar que ela foi transmitida por um canal de televisão por satélite.Inclusive muitos árabes moderados, entrevistados pela BBC, opinaram ao fim da transmissão que compartilhavam com as críticas de Bin Laden ao apoio dado pelos Estados Unidos a Israel, cujas tropas ocupam o território palestino há mais de 30 anos.Por outro lado, outros telespectadores observaram que o Ocidente é, pelo menos parcialmente, censurável por ter "inflado" a imagem de Bin Laden, criando uma figura mais importante do que ele realmente é.Na ruas de Jedá muitos cidadãos se identificam com as "causas" pelas quais Bin Laden diz lutar, apesar de a Arábia Saudita ter condenado publicamente os atentados de 11 de setembro.Todas essas pessoas comuns desejam fervorosamente que as forças anglo-americanas - vistas como invasores coloniais ou cruzadas de última hora chegadas para "contaminar" a pátria do Islã - abandonem de uma vez por todas seu país.Particularmente, a grande maioria dos sauditas se opõe à idéia de que seu território seja usado como trampolim para um ataque contra outra nação islâmica, no caso o Afeganistão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.