Pakistan's Press Information Department/AFP
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Bin Laden morreu como 'mártir', diz primeiro-ministro do Paquistão

No ano passado, Imran Khan declarou em uma viagem aos EUA que a principal agência de espionagem militar do Paquistão forneceu ao governo americano uma pista que facilitou encontrar o líder da Al-Qaeda

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2020 | 15h20

ISLAMABAD - O ex-líder da organização terrorista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, morto em 2 de maio de 2011 pelas forças especiais dos EUA no Paquistão, morreu como "mártir", declarou nesta quinta-feira, 25, o primeiro-ministro paquistanês, Imran Khan, provocando uma onda de reações hostis no país.

"Os americanos vieram para Abbottabad e mataram Osama Bin Laden. Morreu como mártir", declarou Khan em discurso na Assembleia Nacional, no qual mencionou as relações complicadas entre seu país e Estados Unidos após o ataque americano.

"Depois disso, o mundo inteiro nos insultou (...). Nosso aliado mata alguém em nosso país sem sequer nos informar", acrescentou, chamando o ocorrido de "humilhação" para muitos paquistaneses.

Opositores e defensores dos direitos humanos expressaram sua indignação imediatamente.

"Imran Khan falsificou a história ao declarar hoje que Osama Bin Laden é um mártir", disse Khawaja Asif, ministro das Relações Exteriores do governo anterior.

"Muçulmanos de todo o mundo lutam contra a discriminação que sofrem devido ao terrorismo recente e nosso primeiro-ministro agrava a situação ao chamar Osama Bin Laden de mártir do Islã", disse no Twitter Meena Gabeena, defensora dos direitos humanos.

Os mártires são venerados no Islã. Esse termo é geralmente usado para pessoas que morrem ou são assassinadas quando estão a serviço da religião.

Por anos, o Paquistão negou oficialmente saber que o fundador do Al-Qaeda se escondia em seu território, até ser morto em um ataque noturno em uma cidade quartel ao norte de Islamabad, o que gerou suspeitas de conluio entre as autoridades e o Al-Qaeda. 

Em 2019, Khan declarou em uma viagem aos Estados Unidos que o ISI (Inter-services intelligence), principal agência de espionagem militar do Paquistão, forneceu ao governo americano uma pista que facilitou encontrar Bin Laden./AFP

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