Efe/Arquivo
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Bin Laden 'não viveu cinco anos em Abbottabad', onde foi morto

Segundo ex-chefe da inteligência do Paquistão, permanência na cidade não seria 'característico' da Al-Qaeda

MYRA MACDONALD E WILLIAM MACLEAN, REUTERS

08 de junho de 2011 | 16h25

LONDRES - É improvável que Osama bin Laden tenha vivido durante anos na cidade paquistanesa de Abbottabad, onde foi encontrado e morto por forças norte-americanas em maio, afirmou um ex-chefe da agência de Inter-Serviços de Inteligência do Paquistão (ISI) na quarta-feira.

O general Ehsan ul-Haq, que dirigiu a ISI de 2001 a 2004, também rejeitou as sugestões de que agentes da ISI poderiam ter ajudado o líder da Al Qaeda, argumentando que a instituição é uma organização disciplinada cujos funcionários seguem as regras do país.

 

Haq disse ter ficado surpreso e envergonhado que Bin Laden tenha sido encontrado pelas forças dos Estados Unidos e de que os serviços de inteligência do Paquistão não o tenham rastreado primeiro. Mas ele afirmou não acreditar que Bin Laden tenha permanecido ali mais do que cinco anos, como algumas notícias sugeriram, dado que outros líderes militantes se mudam o tempo todo para evitar a captura.

"Seria totalmente não característico da Al-Qaeda manter sua liderança em uma posição por tanto tempo", disse Haq à Reuters nos bastidores de um seminário sobre segurança. "Minha percepção é de que ele não ficou ali por muito tempo".

'Montanhas e calma'

 

As notícias de que Bin Laden viveu em Abbottabad por cinco anos foram baseadas nos comentários feitos pelas mulheres dele, repetidas por oficiais. Haq disse acreditar que Bin Laden tenha escolhido Abbottabad -- onde fica a sede da Academia Militar Paquistanesa -- pela cidade ter acesso às montanhas da fronteira do Afeganistão e por ser relativamente calma e menos inspecionada pelos serviços de segurança paquistaneses.

"Houve um número menor, ou praticamente nenhum, de atos de terrorismo naquela parte do país, e consequentemente havia um foco menor por parte dos serviços de inteligência e de segurança", disse ele. O fracasso militar de não encontrar Bin Laden e a aparente incapacidade de detectar e reagir à incursão norte-americana em Abbottabad foram seguidos por uma investida militante contra uma base naval de Karachi que salientou a vulnerabilidade das instalações militares.

A ISI também foi acusada de envolvimento na morte do jornalista paquistanês Syed Saleem Shahzad -- uma acusação que nega --, revivendo questões sobre o quanto opera fora da lei. Haq, que se tornou chefe do Estado-Maior das Forças Armadas antes de ir para a reserva em 2007, afirmou que é errado acreditar que o Exército e a ISI operam fora do sistema. "Não é verdade. Eles estão subordinados às autoridades civis do Paquistão", afirmou ele.

Questionado se o governo civil teria permissão para conduzir um inquérito independente sobre a morte de Shahzad, ele afirmou: "O primeiro-ministro tem o poder de ordenar um inquérito se sentir que isso seja necessário."

 

Shahzad, que dizia ter sido ameaçado pela ISI por causa de suas reportagens sobre militantes islâmicos, foi espancado até morrer em maio. A ISI negou ter ameaçado Shahzad e prometeu em um comunicado achar os assassinos e levá-los à Justiça.

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