Bin Laden pede em carta mais luta contra os EUA

O terrorista mais procurado do mundo, o milionário saudita Osama bin Laden, voltou a exortar os muçulmanos de todo o mundo a se unirem-se a sua guerra santa (jihad) para "destruir o poder dos Estados Unidos". Em carta supostamente de sua autoria divulgada por meio de um site na Internet no Paquistão, o chefe da Al-Qaeda (A Base) convoca também o povo do Afeganistão a expulsar as tropas norte-americanas do país. "Posso lhes dizer do lugar onde me encontro que essa admiração existente (em território afegão) pelas grandes potências não vale nem a asa de um mosquito se a compararmos com o poder de Alá, o misericordioso, que apóia seus leais combatentes", diz carta publicada pelo site http://islamonline.net. O documento teria sido entregue a um correspondente do site em Islamabad, Paquistão, por uma fonte afegã que pediu para não ser identificada. "A fonte ressaltou que Bin Laden escreveu a carta do próprio punho há algumas semanas para pôr fim às conjecturas sobre sua morte", sustenta o site. Na carta, Bin Laden procura convencer muçulmanos que não acreditam numa vitória sobre os norte-americanos: "Perguntem aos russos como a jihad foi capaz de acabar com a antiga União Soviética no Afeganistão." O líder terrorista desaparecido conclui a carta ressaltando que logo o mundo islâmico será testemunha da queda dos Estados Unidos "porque Alá não conhece outra lógica senão o poder da jihad". Em Londres, o jornal britânico Sunday Times publicou uma reportagem segundo a qual membros da família real saudita pagaram no mínimo o equivalente a 320 milhões de euros ao grupo de Osama bin Laden e ao Taleban em troca da promessa de que suas forças não atacariam alvos na Arábia Saudita, segundo documentos judiciais. Os documentos, protocolados em um processo judicial Estados Unidos, informam que o acordo foi fechado depois de duas reuniões secretas entre membros da realeza saudita e líderes da Al-Qaeda, entre eles, o próprio Bin Laden. O dinheiro teria permitido à Al-Qaeda financiar campos de treinamento no Afeganistão, freqüentados pelos seqüestradores de 11 de setembro. Neste domingo, uma fonte ligada ao governo saudita negou categoricamente a acusação. "A Arábia Saudita nunca cedeu a pressões ou chantagens nem modificou os princípios aos quais se sujeita", disse a fonte. Ainda em Londres, o ministro de Interior da Grã-Bretanha, David Blunkett, pediu desculpas hoje aos muçulmanos que vivem no país por causa do comportamento de membros do serviço secreto durante as buscas por suspostos membros da Al-Aqeda. Numa carta aberta dirigida a representantes da comunidade muçulmana no país, o ministro manifestou seu pesar devido aos protestos recebidos por parte daqueles que disseram ter sido molestados e intimidados pelos agentes britânicos. Em Cabul, o ministro de Relações Exteriores do Afeganistão, Abdullah, disse hoje acreditar que a maior parte dos foragidos pertencentes ao Taleban e à Al-Qaeda, inclusive Osama bin Laden e o mulá Mohammed Omar, estejam escondidos ao longo da fronteira com o Paquistão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.