Bin Laden pede que presidente da Somália seja derrubado

Líder da Al-Qaeda pede apoio aos mujahedins do país na compra de armas e a realização da jihad

Agências internacionais,

19 de março de 2009 | 08h40

O líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, pediu para que seus simpatizantes derrubem presidente somali e islamita moderado, Sharif Sheikh Ahmed, em uma gravação de áudio colocada na internet. Em sua mensagem - datada de março, embora sem data concreta, com transcrição em árabe e em inglês e disponível em vários fóruns islâmicos na internet -, o terrorista pede que os "campeões da Somália" lutem contra o "governo apóstata" de Ahmed.

 

A gravação de 11 minutos e meio de duração, intitulada "Lutem, defensores da Somália", tem como objetivo organizar os radicais islâmicos em um momento no qual o novo presidente da Somália, o islamita moderado xeque Sharif Sheik Ahmed, tenta dividir as fileiras rebeldes e atrair apoio a seu governo.  Na mensagem, Bin Laden desqualifica o novo presidente como "vira casaca" e "fantoche" dos Estados Unidos. Segundo o líder da Al-Qaeda, a escolha de Ahmed foi induzida pelo enviado americano ao Quênia", uma menção ao embaixador dos EUA em Nairóbi.

 

Eleito pelo Parlamento somali em janeiro, Ahmed "trocou de lado e aliou-se com o infiel" em um governo de unidade nacional, diz Bin Laden. Ele acusa o novo presidente de ter abandonado a religião ao entrar para o governo. Ahmed "deve ser destronado e combatido", conclama Bin Laden, reforçando que os rebeldes islâmicos são "obrigados a continuar lutando contra o governo apóstata". "A guerra que ocorreu em sua terra nestes últimos anos é uma guerra entre o Islã e a cruzada internacional", afirmou Bin Laden. "Esta classe de presidentes são os substitutos dos nossos inimigos e sua autoridade é nula em primeiro lugar, e como o xeque Sharif é um deles, deve ser derrubado e deve-se lutar contra ele".

 

O líder da Al-Qaeda afirma que a morte é preferível "antes de baixar a cabeça" perante o governo da Etiópia, cujo Exército, "liderado pelos Estados Unidos", derrubou os islamitas entre dezembro de 2006 e começo de 2007. Bin Laden também pede aos somalis que apoiem economicamente os mujahedins (combatentes) na compra de armas e a realização da jihad (guerra santa).

 

Na gravação, que inclui uma mensagem sonora de Bin Laden, uma foto dele e subtítulos em inglês, o líder da Al-Qaeda diz que a vitória dos islamitas na Somália "é de extrema importância" e considera que a perda desse território "facilitaria ao inimigo devorar o coração do mundo islâmico". Neste sentido, faz um repasse geográfico sobre a presença das potências ocidentais e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na zona, de Afeganistão e Darfur (Sudão), até o sul do Líbano e o conflito palestino.

 

Bin Laden pede aos mujahedin, "os honestos filhos da Somália", a seguir "o caminho da jihad". "A infidelidade global está em apuros e crise como não se via em décadas", afirma Bin Laden, acrescentando que sua luta é um apoio para "os irmãos na Palestina, Iraque, Magreb islâmico, Paquistão e as outras frentes da jihad".

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