Bin Laden pode estar morto, admitem EUA

Lutadores tribais afegãos retiraram nesta terça-feira peças de artilharia e armas pesadas das Montanhas Brancas, onde resistiam até poucos dias os últimos remanescentes da Al-Qaeda no leste do Afeganistão, marcando o fim dos combates na região de Tora Bora. Não há sinal de Osama bin Laden e o subsecretário da Defesa dos Estados Unidos, Paul Wolfowitz, disse que ele pode estar morto. "Acho que é possível que ele esteja morto no fundo de uma delas (das caverna)", disse.Hazrat Ali, um dos comandantes tribais da Aliança Oriental, disse à agência AIP que não tinha mais informação sobre a presença de combatentes da Al-Qaeda na área.CavernasForças especiais dos EUA estão vasculhando as cavernas, onde centenas de lutadores da Al-Qaeda, de Bin Laden, resistiram por nove semanas a fortes bombardeios norte-americanos, em busca de documentos, passaportes e outras evidências abandonados na apressada retirada.O general Peter Pace, subcomandante do Estado-Maior Conjunto dos EUA, recusou-se a estimar quanto tempo a busca durará: "Será passo a passo, caverna a caverna".Mohammed Aman Khiari, outro comandante, disse duvidar de que Bin Laden ainda esteja na região - ou mesmo de que alguma vez tenha estado lá. "Se Osama estivesse aqui, ele estaria lutando contra nós. Talvez ele já tenha ido para algum outro lugar, ou talvez ele esteja morto", afirmou Khiari.PéO porta-voz do Departamento de Defesa Richard McGraw informou que um soldado norte-americano perdeu um pé hoje na explosão de uma mina terrestre no aeroporto de Bagram, nas proximidades de Cabul. Três marines haviam sido feridos na explosão de uma mina no domingo no aeroporto de Kandahar.Dois aviões de transporte C-130 dos EUA noticiaram hoje terem sido atacados com mísseis terra-ar durante a madrugada ao levantar vôo de Kandahar, mas o Comando Central em Tampa, Flórida, afirmou mais tarde que a tripulação havia na verdade visto rastros de fogos de artifício, "parte da comemoração do fim do Ramadã".IêmenEnquanto isso, a guerra contra a Al-Qaeda estendeu-se para além das fronteiras do Afeganistão. Numa parte remota do centro do Iêmen, no extremo sul da Península Arábica, forças especiais iemenitas travaram fortes combates hoje com lutadores da tribo Adida que estariam abrigando cinco supostos partidários de Bin Laden.As forças especiais perseguiam os homens buscados pelo governo na província de Marib, 160 km a leste da capital, Sanaa. Pelo menos um dos homens seria um árabe não iemenita que havia estado no Afeganistão.Porosa fronteiraO Paquistão reforçou suas fronteiras com tropas e promovia patrulhas com helicópteros de combate numa tentativa de bloquear rotas de fuga da área de Tora Bora. Mas parecia impossível selar hermeticamente a porosa fronteira que há anos tem servido para o contrabando de produtos e a infiltração de combatentes.Poucas centenas dos estimados 1.000 a 2.000 lutadores da Al-Qaeda teriam sido mortos ou capturados, e não se sabia para onde o resto fugiu. Prisioneiros relataram ter visto Bin Laden no último sábado na área, segundo a CNN. Mas informações de integrantes Al-Qaeda estão sendo recebidas com ceticismo.Mulá OmarNo sul do Afeganistão, um oficial de inteligência tribal disse que o líder do Taleban, mulá Mohammed Omar, havia fugido para Baghran, ao pé de motanhas no centro-sul, com 300 a 400 combatentes, mas que não tinha planos imediatos de persegui-lo. "A todo momento, recebemos notícias de onde ele está", afirmou Haji Gulalai, chefe de inteligência do governador de Kandahar, Gul Agha. "A América sabe onde ele está. Mas precisamos estar na mesma área para ajudar a guiar os bombardeios", disse Gulalai."Sem a nossa ajuda, a América acabará bombardeando áreas civis. Ainda não demos a luz verde para os americanos começarem com os bombardeios."Baghran é uma rota de fuga para a deserta fronteira nortista com o Turcomenistão, uma notória linha de contrabando que segue para a separatista república da Chechênia, onde o apoio a Bin Laden continua alto. O Paquistão anunciou ter prendido 88 integrantes da Al-Qaeda nos últimos dias. Alguns teriam sido interrogados por oficiais americanos.O subsecretário Wolfowitz disse que entre cinco detidos mantidos a bordo do navio de guerra USS Peleliu no mar da Arábia estavam três integrantes do Taleban ou da Al-Qaeda. Ele não quis identificá-los. "Se eles são quem pensamos que são, eles são pessoas importantes", afirmou.Leia o especial

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