Bin Laden que palestinos defendam Gaza 'a ferro e fogo'

Líder da Al Qaeda também pediu que os muçulmanos mantenham o combate às forças americanas no Iraque

Lin Noueihed, Reuters

20 de março de 2008 | 17h56

Osama bin Laden conclamou os palestinos, em gravação difundida na quinta-feira, 20, a usarem "ferro e fogo" contra o bloqueio israelense à Faixa de Gaza.   Veja também:   Bin Laden ameaça UE por charge do profeta Maomé CIA confirma autenticidade da mensagem de Bin Laden Vaticano reage à acusação de Bin Laden sobre 'cruzada' do papa   Nova versão de polêmica charge de Maomé é publicada O líder da rede Al Qaeda também pediu que os muçulmanos mantenham o combate às forças dos Estados Unidos no Iraque como forma de "liberar a Palestina". A divulgação da fita pela rede Al Jazeera coincide com a época do quinto aniversário da ocupação do Iraque. "Meu discurso é sobre o cerco a Gaza e o caminho para recuperá-la e o resto da Palestina das mãos do inimigo sionista", disse Bin Laden. "Nossos inimigos não a pegaram por negociações e diálogo, mas a ferro e fogo. E essa é a forma para recuperá-la." Na quarta-feira, um site islâmico havia divulgado outra gravação em que Bin Laden ameaçava a União Européia com graves punições pela republicação de caricaturas que ironizavam o profeta Maomé. Ele disse que as caricaturas eram parte de uma "nova cruzada" que contava com o apoio do papa Bento 16 -- acusação rejeitada pelo Vaticano. Analistas minimizaram a possibilidade de que as novas mensagens sejam prenúncios de atentados em território europeu, inclusive porque a Al Qaeda não costuma fazer ameaças específicas de antemão. Na gravação, Bin Laden afirma que a republicação das caricaturas é "uma confirmação da parte de vocês de que a guerra continua". Segundo autoridades dos EUA, a CIA está confiante de que a voz presente nas gravações é a de Bin Laden, que supostamente está escondido na fronteira entre Afeganistão e Paquistão. No mês passado, o cardeal Jean-Louis Tauran, responsável do Vaticano pelas relações com o Islã, condenou as caricaturas, que saíram originalmente em 2005 e foram republicadas agora devido a ameaças contra seu autor. Nos meses seguintes à publicação original, os desenhos desencadearam protestos com dezenas de mortos no mundo islâmico. Esta não é a primeira vez que a Al Qaeda lança críticas contra o papa. Em 2006, muitos muçulmanos se sentiram ofendidos por uma citação, feita por ele numa palestra, que sugeria um caráter violento do Islã. Mais tarde, Bento 16 disse ter sido mal-compreendido e pediu desculpas. Em dezembro, Ayman Al Zawahri, número 2 na hierarquia da Al Qaeda, disse que o papa havia "insultado o Islã e os muçulmanos". Reagindo às declarações de Bin Laden, a presidência da UE afirmou que "a União Européia e seus Estados membros aplicam o princípio da liberdade de expressão e liberdade de religião, [que] são parte dos nossos valores e tradições" e que "a UE e seus Estados membros respeitam o Islã". As autoridades dinamarquesas disseram haver atualmente uma "ameaça elevada" contra o país e contra seus cidadãos e interesses no exterior, e que a mensagem de Bin Laden não altera a situação. A Holanda também está em alerta contra ataques, devido à iminência do lançamento de um filme de um político de direita com críticas ao Corão.

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