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Bin Laden tinha reservas em relação a somalis

 

Lourival Sant'Anna, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2013 | 02h14

Embora tenha seguido a doutrina da Al-Qaeda desde sua criação em 2007, o grupo somali Al-Shabab só foi oficialmente aceito pela rede depois da morte de Osama bin Laden, em maio de 2011.

"Bin Laden tinha reservas em relação a eles", lembra o pesquisador israelense Yoram Schweitzer, do Instituto de Estudos da Segurança Nacional da Universidade de Tel-Aviv. "Ayman al-Zawahiri, seu sucessor, é mais leniente e menos cauteloso."

Bin Laden reprovava os massacres de sunitas - a seita da Al-Qaeda - na Somália, que o Al-Shabab executa para mostrar poder por meio do pavor. Também não gostava da plataforma nacionalista dos líderes tribais do Al-Shabab, que buscavam consolidar poder em seus respectivos territórios.

O fundador da Al-Qaeda desejava manter sua feição "internacionalista", pan-islâmica, jihadista e voltada contra os Estados Unidos. Já Zawahiri "parece mais inclinado a ampliar a Al-Qaeda, e a um tipo de luta 'glocal'', observa Schweitzer, misturando os termos "local"e "global".

Hegemonia jihadista. No Al-Shabab, os jihadistas, liderados por Mokhtar Ali Zubeyr Godane, venceram a luta interna contra os nacionalistas, cujos líderes foram mortos ou desertaram para o governo, observa Scott Stewart, da Stratfor.

Ele acredita que haja estreita coordenação entre o Al-Shabab e os outros grupos jihadistas e salafistas que atuam no Sahel, como é chamada a região ao sul do Saara que vai da Eritreia à Mauritânia (ver mapa).

Os contatos diretos entre os grupos se intensificaram à medida que se tornou mais difícil a comunicação deles com a liderança da Al-Qaeda no Paquistão. A rede se descentralizou.

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