Bin Laden visto outra vez nas cavernas

Os chefes de clãs afegãos que comandam o cerco às cavernas de Tora Bora, no leste do Afeganistão, onde estão escondidos os últimos remanescentes da rede terrorista Al Qaida (cerca de 3 mil, a maioria árabes), estavam confiantes, ontem, em indícios que confirmariam a presença de Osama bin Laden, líder da organização. Um dos comandantes disse que seus homens avistaram um homem alto, que aparentava ser o terrorista saudita, chegando a cavalo com um grupo de combatentes ao Vale de Maleewa, aos pés das Montanhas Brancas, que separam o país do Paquistão. Outro mencionou conversas de rádio interceptadas, em árabe, que fariam menção a Bin Laden. "Meus homens viram Osama, ontem, cavalgando com 40 guarda-costas na área de Maleewa", disse o comandante Kalan Mir. Seu irmão, Hazrat Ali, responsável pela segurança no governo provisório que tomou o lugar do Taliban na região, havia denunciado a presença do terrorista saudita em Tora Bora na semana passada. Outro comandante, Haji Musa, dava ontem por certa a presença, nas cavernas, de um dos filhos de Bin Laden, entre mulheres e filhos dos homens da Al Qaida - todos, agora refugiados na parte mais alta das montanhas. O chefe tribal Zein Huddin, por sua vez, citou comunicações de rádio entre Tora Bora e Kandahar (antes da retirada do Taliban), interceptadas por seus homens. "Os de Kandahar perguntavam, em árabe: ´Como está o xeque?´. A resposta era: ´O xeque está bem.´" Bin Laden costuma ser chamado apenas de "xeque" por seus seguidores. O general Tommy Franks, que comanda a ofensiva americana, não descartou a hipótese de o inimigo fugir para o Paquistão. "Estamos fazendo o possível para cercar um terreno muito desfavorável." Das cavernas, a Al Qaida contra-ataca - Estimulados com a perspectiva de capturar ou matar o líder da rede terrorista - e assim ganhar uma recompensa de US$ 25 milhões oferecida pelos EUA -, mais de mil combatentes afegãos se lançaram à caçada. Mais 3 mil estão a caminho, desde rapazes com seus 20 anos, lutando com armas pela primeira vez na vida, até sexagenários veteranos da resistência à ocupação soviética, entre 1979 e 1989. Ontem, os guerreiros afegãos começaram o dia conquistando posições da Al Qaida nas cavernas mais baixas do complexo de Tora Bora. Entre documentos e armas apreendidos, os mujahidin (combatentes) exibiam também estojos de relógios Casio, bússolas, roupas. Mas eles, e os jornalistas que os acompanhavam, tiveram de proteger-se sob as pedras quando os homens da Al Qaida decidiram contra-atacar, lançando uma chuva de morteiros sobre as posições dos afegãos. "Não será fácil: precisamos estudar como será a batalha antes de definir os planos", ponderava Haji Mohammed Zaman, chefe militar do governo regional. "A resistência está dura", confirmou Sayed Jalal, jovem mujahid de 23 anos. "Até as mulheres estão atirando em nós."

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