Menahem Kahana/AFP
Menahem Kahana/AFP

Binyamin Netanyahu é indiciado por fraude e suborno em Israel

Indiciamento ocorre no mesmo dia em que o presidente de Israel, Reuven Rivlin, convidou o Parlamento a formar um governo provisório depois de nenhum partido ter conseguido formar uma  coalizão

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2019 | 13h44
Atualizado 22 de novembro de 2019 | 12h22

JERUSALÉM - O procurador-geral de Israel, Avichai Mandelblit, indiciou nesta quinta-feira, 21, o premiê interino Binyamin Netanyahu por fraude, suborno e quebra de confiança. 

O indiciamento ocorre no mesmo dia em que o presidente de Israel, Reuven Rivlin, convidou o Parlamento a formar um governo provisório depois de nenhum partido ter conseguido formar uma  coalizão em Israel. 

Em resposta, Netanyahu rejeitou seu indiciamento, classificando-o como um "golpe de estado" contra ele. "Tudo isso tem como objetivo a minha queda" acrescentou, afirmando que se tratam de "acusações falsas" e de uma "investigação contaminada", politicamente enviesada. 

"Continuarei comandando esse país de acordo com a lei", assegurou, ressaltando que agora trata-se de um momento para "investigar os investigadores".

Mandelblit, em pronunciamento, rejeitou que houve motivação política na decisão, afirmando que foi baseada "somente em considerações legais e fundamentandas em evidências". O procurador definiu como um dia "difícil e triste" para Israel, mas assegurou que "a aplicação da lei não é uma opção" e nem uma "questão de direita ou esquerda". 

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Quais são as acusações contra Netanyahu?

Netanyahu tem contra si três inquéritos na Justiça israelense. No mais grave, pelo qual foi indiciado hoje, ele  é acusado de suborno, fraude e quebra de confiança por ter eliminado regulamentação em benefício da gigante de telecomunicações Bezeq. Em troca, o acionista majoritário da empresa, Shaul Elovitch, ofereceu uma cobertura favorável em seu site Walla. 

A Justiça israelense suspeita ainda que Netanyahu aceitou US$ 280 mil em presentes, incluindo champanhe e charutos, de um produtor de Hollywood, o israelense Arnon Milchan. Em troca, ele ajudou Milchan a estender seu visto americano e pediu que o Ministério das Finanças lhe concedesse isenções fiscais.

A última investigação diz respeita a um suposto acordo entre Netanyahu e Arnon Mozes, editor do jornal Yedioth Ahronoth. Em uma conversa gravada, ele disse a Mozes que aprovaria uma lei para enfraquecer o jornal concorrente em troca de uma cobertura favorável – nenhuma lei foi aprovada. 

Crise política agravou situação do premiê

O impasse político dos últimos meses aumentou a pressão sobre Netanyahu. Ele enfrenta sinais de dissidência no seu partido, o Likud, depois de um ex-aliado, o ex-ministro da Educação Gideon Saar, ter pedido a realização de uma eleição primária para tirar Bibi da liderança da legenda. 

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Mais cedo, Rivlin informou à Knesset, o Parlamento de Israel, que, pela primeira vez desde a criação do país, nenhum partido conseguiu formar governo. Com isso, os deputados terão de eleger um dos membros da casa por maioria simples para impedir a convocação de uma terceira eleição em menos de um ano. 

“É uma situação política muito triste”, disse Rivlin. “Vivemos uma das épocas mais importantes para reencontrar o significado do Estado de Israel. Não se enganem. Essa política disruptiva precisa acabar.”  / AP, REUTERS AFP e EFE

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