Birmaneses saem às ruas de Rangun; cinco monges morrem

Apesar da ameaça do regime militar, dezenas de sacerdotes desobedecem toque de recolher imposto

Agências internacionais,

26 de setembro de 2007 | 05h11

Cerca de mil de birmaneses saíram às ruas de Rangun pouco depois de soldados, com tiros para o ar e bombas de fumaça, dispersarem dezenas de monges que protestavam contra a Junta Militar de Mianmá. Pelo menos um manifestante morreu e outro foi ferido a tiros mas, segundo a CNN, cinco sacerdotes podem estar mortos.   Veja também: Entenda a crise e o protesto dos monges Soldados cercam templos e prendem ativistas Brown pede reunião do Conselho de Segurança Militares impõem toque de recolher Brasileiro relator da ONU pede ajuda internacional Em discurso na ONU, Bush anuncia sanções   Apesar da ameaça do regime militar de reagir severamente contra os manifestantes, dezenas de monges foram nesta quarta-feira ao pagode de Shwedagon, no centro de Rangun, como nos dias anteriores, para rezar e começar uma nova passeata.   As forças de segurança, que já estavam preparadas no local, usaram gás lacrimogêneo e deram tiros para o ar, dispersando os religiosos. Muitos foram atacados e depois levados em caminhões do exército a centros de detenção, disseram testemunhas à rádio Mizzina.   Tropas armadas com metralhadoras se instalaram também no pagode de Sule, em vários mosteiros, na sede da Liga Nacional para a Democracia (LND), único partido de oposição, e outros pontos de Rangun onde podem acontecer atos públicos. Os colégios em Rangun suspenderam as aulas. Muitas lojas e escritórios decidiram não abrir, temendo a violência. As medidas de segurança adotadas em Rangun se estendem a outras cidades do país que nos últimos dias aderiram às mobilizações democráticas.   Além de isolar mosteiros, para impedir que os monges budistas continuem liderando as manifestações, e a sede da LND, as forças de segurança armaram postos de controle em ruas e praças.   Soldados detiveram nesta madrugada vários dirigentes e membros da oposição. Em Rangun, Win Aing, que havia sido preso em fevereiro por organizar uma entrevista coletiva de um grupo de ativistas, foi detido. Zaganar, um dos humoristas mais famosos do país, também foi levado pelos agentes, acusado de dar água e comida aos monges.   Várias outras pessoas foram detidas nesta manhã,  quando convocavam um protesto em Mandalay, a cerca de 600 km ao norte de Rangun. O governo declarou na terça-feira à noite o toque de recolher e nesta quarta-feira posicionou tropas em Rangun e outras cidades do país para reprimir as manifestações em favor da democracia, lideradas pelos religiosos.   Nos últimos dias, o país assistiu às manifestações contra a Junta Militar mais numerosas dos últimos 19 anos, reunindo 300 mil pessoas na última segunda-feira. Ontem, foram 150 mil só em Rangun. As organizações Aliança de Todos os Monges Birmaneses e Geração de Estudiantes do 88 afirmaram que continuarão com os protestos contra a Junta Militar e que não cederão às tentativas de intimidação do regime.   "Não tememos nenhuma ameaça dos militares, não são páreo para nós. Continuaremos com nossa luta", disse o porta-voz da associação de monges, U. Adipati. O país é governado por um regime militar desde 1962.   As últimas eleições parlamentares foram em 1990, quando o partido oficial perdeu de forma arrasadora para a LND, liderada por Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz e em prisão domiciliar desde 2003. O governo não reconheceu o resultado da votação.

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