Bispo brasileiro acusa Sharon de genocídio e o compara a Milosevic

O bispo dom Aloísio Sinésio Bohn, da diocese de Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, disse hoje, na abertura da 40ª assembléia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Indaiatuba, interior de São Paulo, que o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, está cometendo um genocídio contra os palestinos, acrescentando que ele deve ser preso e levado ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, onde está sendo julgado o ex-líder sérvio Slobodan Milosevic, sob a acusação de crimes contra a humanidade e genocídio.Os bispos brasileiros aceitaram a proposta de Bohn e vão distribuir uma nota à população brasileira manifestando sua posição a respeito do conflito entre israelenses e palestinos."Sharon, em nome do Estado de Israel, está cometendo um verdadeiro genocídio. Colocou um exército poderoso contra uma população desarmada, um povo humilde, que não pode ser confundido com os atos de terroristas isolados", disse o bispo. "Se fosse assim teríamos que dizer que todo o povo judeu também está cometendo genocídio." Bohn disse temer que a ação de Sharon provoque uma nova onda de anti-semitismo no mundo. "O massacre está provocando uma reação internacional. Nem todos os países são como os Estados Unidos, que conseguem ficar indiferentes a essa realidade", disse.Ainda na abertura do encontro, o arcebispo de São Paulo, cardeal Cláudio Hummes, apresentou um pedido do rabino Henry Sobel, de São Paulo, que gostaria de comparecer perante o episcopado para falar sobre o conflito. O pedido foi rejeitado pela maioria dos bispos. Alegou-se que seria necessário ouvir também um representante islâmico, que apresentasse o ponto de vista dos palestinos.O rabino Sobel e a CNBB sempre mantiveram relações cordiais e em mais de uma ocasião ele esteve presente nas assembléias gerais da entidade.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.