Bispo de Pequim morre em momento de aproximação com o Vaticano

O principal bispo da China, Fu Tieshan, apoiado pelo Partido Comunista (PCCh) e nunca reconhecido pelo Vaticano, morreu sexta-feira, 20, à noite, deixando aberta a sucessão na diocese de Pequim.O novo bispo será escolhido num momento em que a China e o Vaticano tentam uma aproximação.A agência de notícias "Xinhua" informou a morte do bispo, que tinha 75 anos. Ele era membro do Legislativo chinês e presidente da Igreja Patriótica Católica da China, reconhecida pelo Governo, e da Conferência de Bispos chineses.Fu morreu de câncer de pulmão. Seu nome cristão era Michael.A nomeação de bispos na China sem aprovação do Vaticano causou tensões em 2006. A Igreja Patriótica não permite as ingerências externas nos assuntos do país.Segundo declarou à Efe o porta-voz da Igreja Patriótica, Liu Bainian, ainda não surgiu o nome de nenhum possível sucessor, nem se sabe se haverá conversas com o Vaticano sobre o assunto.A morte de Fu chega também no momento em que Bento XVI preparava uma carta a ser enviada ao Governo chinês. O Papa busca uma aproximação com os católicos chineses, que somam mais de 10 milhões de fiéis. Um terço é de clandestinos, que reconhecem a autoridade papal.Roma e Pequim romperam relações em 1951, por causa de um conflito sobre bispos. Desde o ano passado as duas partes tentam uma aproximação.A negociação passa, segundo os chineses, pelo rompimento dos vínculos diplomáticos da Santa Sé com Taiwan. Outra exigência é a renúncia do Papa a "interferências nos assuntos internos" da China, ou seja, as nomeações de bispos.Fu, nascido na província setentrional de Hebei (berço do catolicismo chinês), foi nomeado bispo de Pequim em 1979 sem a bênção do Vaticano. Nos últimos anos ele vinha se mostrando muito mais alinhado com o Governo comunista.Os limites entre igreja oficial e clandestina são difusos, na prática.Liu disse que a perda de Fu é um duro golpe para os católicos chineses. O PCCh informou em comunicado que o bispo era "um distinto líder patriótico religioso, um famoso ativista social e um amigo íntimo do Partido".Os católicos tentam conseguir adeptos na China desde o século XVII, através da pregação de jesuítas como Mateo Ricci. Mas as diferenças culturais e filosóficas e o controle político impedem o seu avanço.O país tem hoje 97 dioceses, das quais 40 sem bispos.

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