Bispo mexicano afirma que ocupação militar em Chiapas continua

O bispo emérito Samuel Ruiz, que foi mediador no diálogo de paz entre o governo mexicano e a guerrilha zapatista, denunciou que a ocupação militar persiste na região de Chiapas em pelo menos 73 comunidades indígenas da área zapatista. "Não foi feita Justiça às vítimas de deslocamentos, execuções e desaparecimentos", disse Ruiz em carta que disse ter enviado ao ministro do Interior do México, Carlos Abascal. Embora o processo de paz em Chiapas se encontre congelado desde 1996, por decisão unilateral do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), o governo mexicano decidiu realizar um processo de desmilitarização na região. O bispo rejeitou as afirmações do ministro Abascal de que em Chiapas foram suspensas as "circunstâncias de exceção" decretadas após o levante armado do EZLN em 1994. Samuel Ruiz, defensor da Teologia da Libertação, considerou pouco sério o anúncio do ministro e disse que poderia se tratar de "uma saída fácil e descuidada" para "evadir a responsabilidade" do governo com a população afetada pelo conflito. O governo do presidente Vicente Fox, diz o bispo em sua carta, manteve em Chiapas "um estado de exceção de fato e de restrição de livre trânsito, iniciado por seu antecessor Ernesto Zedillo há onze anos" com a ocupação militar "ilegal que ainda persiste".

Agencia Estado,

25 Março 2006 | 05h00

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