Bispo pede paz, mas cristãos clamam por vingança no Paquistão

Milhares de cristãos furiosos gritaram "Vingança, vingança", hoje, durante o sepultamento de 15 cristãos paquistaneses na igreja em que eles foram massacrados por seis atiradores, um dia antes. "O sangue de nossos mártires levará à revolução", "Sangue por sangue", "Eles pagarão na mesma moeda" e "Não nos dobraremos à opressão", disseram outros cristãos. O bispo local pediu calma. "Não acreditamos em vingança. Não acreditamos em violência. Perdoamos o sangue que derramaram de nossos mártires", disse o bispo católico do distrito de Multan, na província central de Punjab, Andrew Francis, antes de os caixões serem baixados. Outras pessoas também manifestaram-se contra uma retaliação. "Os que mataram nosso povo não pertencem a nenhuma religião", disse Malik Dad Masih durante a cerimônia. "Nenhuma religião prega que pessoas inocentes devam ser mortas." A polícia reforçou a vigilância diante da igreja de São Domingos, e em vários monumentos católicos em todo o país islâmico, depois do pior massacre de cristãos nos 54 anos de história do Paquistão. A polícia também patrulhava as ruas de Behawalpur, Província de Punjab, e as várias mesquitas da cidade. Mais de cem ativistas de grupos islâmicos foram detidos em vários distritos de Punjab, informaram fontes policiais. "Pedimos ao governo que proíba todos os grupos militantes", disse um líder cristão durante a cerimônia fúnebre na igreja de São Domingos. O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, disse ter ordenado a captura dos pistoleiros. Musharraf pretendia dirigir-se hoje à nação para falar sobre a tragédia e sobre sua política para prevenir futuros massacres. "Meu governo e as forças da lei farão o possível para que os que cometeram esse terrível ato recebam uma punição exemplar", disse o presidente no domingo à noite. Seis homens mascarados invadiram a igreja de São Domingos, montados em motocicletas, no domingo pela manhã durante a missa, e dispararam seus fuzis Kalashnikov contra as pessoas enquanto gritavam "Paquistão e Afeganistão: cemitério de cristãos" e "Isso é só o começo". Há algum tempo os cristãos temiam tornar-se possíveis alvos no caso de um levante no Paquistão, por causa dos ataques dos Estados Unidos contra a milícia islâmica Taleban, no vizinho Afeganistão. Catorze pessoas ficaram feridas no ataque. Segundo médicos locais, duas delas estão em estado crítico. Um guarda muçulmano também foi morto. Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.