Bispos confirmam viagem do papa à Turquia em novembro

Os bispos católicos turcos confirmaram nesta segunda-feira que "por enquanto, nada faz pensar" em um cancelamento da viagem do papa à Turquia, agendada para o fim de novembro, apesar das duras reações do mundo islâmico contra o discurso pronunciado por ele na Alemanha.Um dia depois de o próprio papa Bento XIV ter afirmado estar aflito com as reações suscitadas por suas palavras, "que não expressam de modo algum" seu pensamento, a Conferência Episcopal da Turquia se reuniu em Istambul para estudar a viagem.A reunião contou com a presença do arcebispo Piero Marini, mestre de cerimônias litúrgicas da Santa Sé. "De acordo com os prelados, nada, por enquanto, faz pensar em um cancelamento da viagem", disse o Vaticano.Apesar da confirmação, as autoridades voltarão a se reunir no início de outubro, para avaliar a evolução da situação.Bento XVI visitará a Turquia entre os dias 28 e 30 de novembro. A viagem inclui escalas em Ancara, Efeso e Istambul. A visita coincidirá com a festividade de Santo André, padroeiro da Igreja Ortodoxa, em 30 de novembro.Esta será a primeira visita de Bento XVI ao Fanar, em Istambul, o coração do patriarcado ortodoxo de Constantinopla, que representa 200 milhões de cristãos em todo o mundo.O ministro de Exteriores da Turquia, Abdullah Gul, afirmou no último domingo que não vê motivos para suspender a visita, que espera ser uma oportunidade para promover o diálogo entre as culturas.O Vaticano, que iniciou contatos diplomáticos para explicar as palavras do Papa, voltou nesta segunda a declarar, por meio de seu novo ministro de Exteriores, o arcebispo Dominique Mamberti, que a polêmica sobre o discurso do Papa se deve a uma "leitura apressada" de uma parte de suas declarações (referentes a Maomé).Mamberti afirmou que uma de suas prioridades é aumentar o diálogo com o mundo muçulmano. O novo chefe de Exteriores do Vaticano se disse convencido de que as palavras de domingo do papa ajudarão a acalmar os ânimos.Porém, um coro de vozes na Turquia pedem pelo cancelamento da visita do papa - a primeira viagem a um país muçulmano em seu pontificado - caso ele não retire o que disse na semana passada sobre o Islã.SegurançaDiante dessas ameaças, as medidas de segurança no Vaticano, especialmente na praça de São Pedro, foram reforçadas. Toda a região está sob constante observação das forças de segurança, mas não foram implementadas medidas especiais de proteção.Além do Vaticano, também foi reforçada a vigilância na igreja de São Petronio, em Bolonha, templo que há muito tempo está na mira de extremistas islâmicos, já que nele está o quadro de Giovanni Da Modena no qual Maomé aparece sendo enviado ao inferno por Dante.Diante da forte presença de cidadãos de países árabes no norte da Itália, a Liga Norte (partido aliado de Silvio Berlusconi) pediu um "imediato controle" das associações islâmicas do país, e que suas atividades sejam suspensas "até que esclareçam sua posição" sobre as ameaças contra Bento XVI.O ímã da mesquita de Centocelle, bairro da periferia de Roma, Samir Khaldi, considerou as palavras do papa "como desculpas tardias, mas aceitáveis", e pediu que não se incentive os enfrentamentos entre religiões.AmeaçaAinda nesta segunda-feira, a polícia turca deteve um manifestante pró-islâmico que invadiu uma igreja protestante em Ancara e ameaçou destruir o templo caso o papa visite seu país. Segundo a emissora CNN Turquia, a polícia capturou o homem e o prendeu. Ele não possuía nenhum tipo de explosivo e ainda não ficou claro se estava mentalmente instável.

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