Marvin Recinos / AFP
Marvin Recinos / AFP

Bispos nicaraguenses analisarão participação no diálogo nacional

Cardeal Leopoldo Brenes afirma que a Igreja Católica têm sofrido agressões físicas e verbais, além de ameaças; desde junho, ao menos sete templos foram atacados

O Estado de S.Paulo

22 Julho 2018 | 19h13

MANÁGUA - O Episcopado da Nicarágua se reunirá na segunda-feira, 23, em Manágua para analisar sua permanência no diálogo nacional a fim de resolver a crise local, depois que o presidente Daniel Ortega acusou os bispos de participarem de um plano para realizar um golpe de Estado.

“Amanhã (segunda-feira) será um dos temas que vamos abordar”, disse o cardeal Leopoldo Brenes, ao ser questionado por jornalistas sobre sua permanência no diálogo.

Na quinta-feira, durante a celebração do 39.º aniversário da revolução da Nicarágua, Ortega afirmou que os bispos “se desqualificaram como mediadores e testemunhas” do diálogo, ao pedirem a antecipação para março de 2019 das eleições de 2021, como forma mais eficaz de superar uma crise que já deixou centenas de mortos em manifestações contra o presidente.

Ortega havia convidado em maio os bispos a serem mediadores no diálogo entre o governo e diversos setores da sociedade nicaraguense. Ao ser questionado se seriam mantidos como mediadores, o cardeal respondeu que “penso que sim”.

Nos últimos meses, os templos católicos e o clero têm sofrido agressões físicas e verbais, além de ameaças, nunca antes vistas na Nicarágua, um país onde 58,8% da população se considera católica.

Brenes afirmou ainda que a Igreja Católica sofre perseguições na Nicarágua, onde seus templos têm servido de refúgio para os manifestantes que escapam de ataques armados do governo local. Desde junho, quando o Episcopado pediu a antecipação das eleições, ao menos sete templos católicos foram atacados.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (Acnudh) responsabilizam o governo de Ortega por graves violações dos direitos humanos.

A CIDH denuncia “assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias cometidos contra a população majoritariamente jovem do país”. O governo da Nicarágua nega as acusações. / EFE

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