Bispos pedem fim da repressão na Venezuela

Igreja Católica quer revogação da permissão para uso de armas de fogo contra protestos; Maduro diz contar com militares para repelir 'golpe'

CARACAS, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2015 | 02h07

No mesmo dia em que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse ter o apoio dos trabalhadores e do Exército para combater um "golpe de Estado", a Igreja Católica no país pediu a extinção de um decreto que permite o uso de armas de fogo na repressão a protestos. Maduro diz acreditar que um plano está sendo tramado para destituí-lo.

"Pedimos encarecidamente às autoridades civis, militares e policiais que não empreguem nem métodos, nem armamentos contrários à legalidade e à dignidade dos seres humanos", afirmou em um comunicado o bispo de San Cristóbal, Mario Moronta. Ele foi respaldado pela Conferência Episcopal Venezuelana (CEV).

Na terça-feira, também em San Cristóbal, no Estado de Táchira, um dos principais redutos da oposição, o estudante Kluiverth Roa, de 14 anos, foi morto por um oficial da Polícia Nacional Bolivariana (PNB).

Ainda ontem, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou "inquietude" com os recentes episódios de violência no país. Em um comunicado, afirmou estar "preocupado" com os relatos de "vidas perdidas" na Venezuela.

O presidente, por sua vez, disse ter apoio no país. "Já me disseram: 'presidente, se a oligarquia, com seus planos de conspiração permanente, um dia tentar algo contra o senhor, tenha certeza de que a classe trabalhadora decretará uma greve geral e tomará todas as empresas do país junto com o Exército'", disse, em ato no Estado de Bolívar.

As ações chavistas contra a oposição aumentaram na semana passada, com a prisão do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma.

Ontem, o suspeito de ter matado o adolescente em Táchira, Javier Mora Ortiz, confessou tê-lo perseguido e atingido, mas afirmou ter usado uma bala de borracha - a família do jovem acusa o policial de ter usado munição real. A confissão foi confirmada pela ministra da Justiça e Interior, Carmen Meléndez.

No Estado de Falcón, o presidente regional do partido antichavista Copei, Julio Toba, denunciou um ataque à sua residência - ninguém se feriu. Toba afirmou que sua casa foi atacada por motoqueiros que teriam disparado ao menos seis vezes contra ela. O governo local, controlado pelo partido chavista Pátria para Todos, prometeu investigar o incidente.

Episódios esporádicos de confrontos entre opositores e a polícia foram registrados em Mérida, no sudoeste da Venezuela, na madrugada de ontem. Ao menos quatro estudantes ficaram feridos com tiros de balas de borracha.

Em Caracas, dezenas de pessoas, em sua maioria mulheres vestidas de branco, protestaram em uma igreja da cidade. O ato não foi violento. / EFE e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.