Jorge Torres / EFE
Jorge Torres / EFE

Bispos se afastam da negociação entre governo e oposição na Nicarágua

Conferência Episcopal do país disse que decisão foi tomada porque o presidente Daniel Ortega e os opositores não mostraram interesse em que os religiosos mediassem diálogo entre as partes para superar a crise

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2019 | 08h52

MANÁGUA - A Conferência Episcopal da Nicarágua (CEN) disse nesta segunda-feira, 4, que o governo de Daniel Ortega e a oposição não mostraram interesse em que os bispos do país mediassem as negociações entre as partes para superar a crise nacional e, portanto, decidiu se afastar do processo.

Em comunicado, o episcopado explicou que o cardeal Leopoldo Brenes participou por "cortesia" da primeira rodada de negociações na semana passada e ofereceu a mediação da CEN. "Já que até o momento não recebemos nenhum convite sobre o assunto, compreendemos que não somos necessários para tais negociações", afirmou o episcopado.

A partir de agora, a CEN informou que continuará acompanhando a situação do povo da Nicarágua na crise que assola o país, e lutará para que as partes encontrem uma solução pacífica para o problema.

Na mesa de negociação, os representantes do governo e da opositora Aliança Cívica pela Justiça e Democracia conseguiram pequenos avanços na definição da agenda e dos mecanismos do processo. Na semana passada, a informação era que Brenes e o núncio apostólico Stanislao Waldemar Sommertag atuariam como testemunhas.

Importância

O episcopado teve um papel essencial na mediação do diálogo entre o governo e a oposição em maio de 2018. No entanto, o governo de Ortega decidiu romper as negociações dois meses depois. Até então, a Igreja Católica era vista como o único mediador confiável em qualquer diálogo para solucionar a crise no país.

Durante os protestos de 2018, imagens de padres salvando a vida de pessoas que se manifestavam contra o governo após confrontos com as forças de segurança circulavam pelo país, uma atitude que provocou a inimizade de Ortega, que acusou os religiosos de serem golpistas.

Segundo organizações humanitárias, a crise deixou entre 325 e 561 mortos na Nicarágua. Além disso, entre 340 e 777 pessoas foram presas. Centenas estão desaparecidas, milhares ficaram feridas e milhões decidiram deixar o país.

Ortega, que diz ser vítima de um golpe da oposição para deixar o poder após 12 anos, reconhece apenas 190 mortes e 340 presos, qualificados por ele como terroristas, golpistas ou delinquentes.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) considera que o governo da Nicarágua cometeu crimes contra a humanidade na repressão aos protestos contra Ortega. Na Organização de Estados Americanos (OEA), há em andamento um processo de aplicação da Carta Democrática ao país, o que pode levar à suspensão da Nicarágua do bloco. / EFE

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