Blair acusa Bin Laden de aproveitar-se da crise sudanesa

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, acusou nesta segunda-feira o líder da rede terrorista Al-Qaeda, Osama bin Laden, de aproveitar-se do conflito na região sudanesa de Darfur. As declarações de Blair ocorrem depois de, em uma gravação de áudio divulgada no último domingo pela rede catariana de televisão Al-Jazeera, Bin Laden instar seus seguidores a preparar "uma prolongada guerra" contra os "ladrões cruzados" em Darfur. O líder da Al-Qaeda também acusou os Estados Unidos de "aproveitarem-se das diferenças entre as tribos" para tentar atiçar o conflito civil na região e "roubar o petróleo sudanês". Em sua entrevista coletiva mensal em Downing Street, Blair ressaltou que a gravação era "uma descrição muito gráfica" das exigências políticas do líder da Al-Qaeda, baseadas no "extremismo" e no "ódio às pessoas que querem trabalhar entre si, além das diferenças raciais e religiosas". "O que Al-Qaeda faz é aproveitar-se de qualquer conflito e disputa no mundo para tentar explorá-lo em seu benefício o quanto for possível", acrescentou Blair, que ressaltou que essa "é uma política de ódio, não de paz". A guerra em Darfur começou em março de 2003, quando o Exército de Libertação do Sudão (ELS) e o Movimento para a Justiça e a Igualdade (MJI) pegaram em armas para protestar contra a pobreza e marginalização da região, fronteiriça com o Chade, e pelo controle dos recursos naturais. Desde então, cerca de 200 mil pessoas morreram e mais 2 milhões se viram forçadas a abandonar seus lares e a alojar-se em campos de refugiados no Sudão e no Chade, o que, segundo a ONU, constitui o pior desastre humanitário dos últimos anos.

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