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Blair anuncia cronograma para retirada de tropas do Iraque

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, anunciou nesta quarta-feira, 21, um cronograma para a retirada das forças britânicas do Iraque. O país, que atualmente conta com 7,1 mil soldados no país árabe, deve reduzir suas tropas para cerca de 5 mil homens já no segundo semestre desse ano. O anúncio foi feito no momento em que um novo contingente de milhares de soldados dos EUA desembarca no país árabe, numa estratégia amplamente anunciada pelo governo Bush como a última chance para tentar restabelecer a ordem em Bagdá.Atuando principalmente em Basra, no sul do Iraque, o Reino Unido chegou a ter mais de 40 mil homens lutando no país durante o auge do conflito.Blair, cujos índices de popularidade caíram bastante devido à decisão de participar da invasão do Iraque, em 2003, disse em pronunciamento ao Parlamento britânico que o número de soldados do Reino Unido presentes ali diminuirá em 1,6 mil nos próximos meses, mas que os militares continuariam no país ao longo de 2008, se assim for requisitado."A redução feita agora no tamanho das forças significará uma queda dos atuais 7,1 mil soldados - um contingente menor do que o de 9 mil soldados dois anos antes e de 40 mil soldados na época dos conflitos - para cerca de 5,5 mil", afirmou Blair em pronunciamento ao Parlamento. "Os militares britânicos continuarão presentes (no Iraque) ao longo de 2008, pelo tempo que isso for requisitado e enquanto tiverem uma missão a cumprir."Novos objetivosEm suas declarações aos parlamentares britânicos, Blair explicou que a missão do Reino Unido no Iraque passará a ser de manutenção da segurança na fronteira com o Irã, além da viabilização de rotas para as tropas americanas e de coalizão no centro do Iraque."Gradualmente, nosso papel será de apoio e treinamento, e nosso contingente poderá ser reduzido de acordo" com esses objetivos, disse o premier. Blair anunciou ainda que caso as forças iraquianas estejam prontas para assumir maior responsabilidade pela segurança na região de Basra, o Reino Unido poderá reduzir suas tropas para níveis inferiores a 5 mil homens no futuro. Segundo o premier, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, concordou com o plano.SucessoBlair, que deve deixar o cargo de premier ainda neste ano, afirmou que a retirada dos soldados britânicos é reflexo do sucesso obtido no sul do Iraque, onde o comando da principal unidade do Exército do Iraque, em Basra, foi repassado aos iraquianos na terça-feira, 20. Depois da invasão que derrubou o ditador Saddam Hussein do poder, os militares britânicos ficaram encarregados de controlar as quatro províncias localizadas mais ao sul do Iraque, uma área de maioria xiita que tem se mostrado mais tranqüila do que as áreas habitadas por xiitas e sunitas e patrulhadas pelos americanos.Ainda assim, Blair admitiu que a situação em Basra ainda não é a ideal. "Isso (o sucesso obtido no sul do Iraque) não significa que Basra está como gostaríamos que estivesse. Mas significa que o próximo capítulo na história de Basra poderá ser escrito pelos iraquianos"Dinamarca e AustráliaTambém nesta quarta-feira, o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, anunciou que seu país retirará todas as suas unidades de infantaria do Iraque até agosto e que as substituiria por um esquadrão formado por nove helicópteros.O governo dinamarquês mantém atualmente cerca de 470 militares no Iraque.A Austrália, outro importante aliado dos EUA no país árabe, informou na quarta-feira que, por enquanto, não tem planos para diminuir seu contingente militar ali. EUANo começo de 2007, o presidente dos EUA, George W. Bush, ordenou o envio de mais 21.500 soldados americanos para o Iraque, onde as forças dos EUA somam atualmente 140 mil integrantes. Em visita ao Japão nesta quarta-feira, o vice-presidente americano, Dick Cheney, disse que o governo americano desejava encerrar sua missão no Iraque e "regressar de forma honrada" para casa. O vice defendeu o envio de mais tropas ao Iraque pelos EUA. Segundo ele, o anúncio de Blair é uma "afirmação de que há partes do Iraque em que as coisas estão indo muito bem".Ainda assim, o presidente deixou claro que, no caso dos EUA, a postura não será de recuo. "Os EUA não sairão do Iraque enquanto o serviço (de instauração da democracia) não estiver completo", afirmou Cheney.O vice disse também que "os EUA ficarão na ofensiva nesta guerra, e nós queremos voltar pra casa com honra". "Os americanos não suportarão uma política de recuo."Em cerimônia solene com honras militares, o Cheney ressaltou ainda a proximidade entre EUA e Japão, numa aparente tentativa de conquistar apoio à impopular guerra. "Tóquio e Washington entendem seus deveres", disse. O Japão foi um dos países que apoiaram a invasão americana ao Iraque.Texto atualizado às 14h45

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