Blair anuncia plano para nova frota de submarinos nucleares

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, anunciou nesta segunda-feira, a intenção de seu governo de construir uma nova geração de submarinos portadores de mísseis nucleares, embora tenha dito que reduzirá de 200 para menos de 160 o número total de ogivas.O anúncio, esperado como o último grande ato de Blair como primeiro-ministro, dizia à Casa dos Comuns que, apesar do fim da Guerra Fria, ameaças potencialmente perigosas são apresentadas pela Coréia do Norte, Irã e outros países. "Nestas circunstâncias, seria improdutível e perigoso para a Grã-Bretanha desistir de sua capacidade nuclear independente", disse ele. A nova frota de submarinos nucleares, que substituirá os quatro da atual classe Vanguard, poderia futuramente ser reduzida para três unidades. Blair, que citou concretamente os planos nucleares da Coréia do Norte e Irã, se referiu igualmente ao perigo de alguns países "patrocinarem o terrorismo nuclear" a partir de seus territórios."Não devemos permitir que esses estados ameacem nossa segurança nacional ou dissuadam a comunidade internacional de adotar as ações necessárias para manter a segurança regional e global", acrescentou. Segundo os planos do governo, é preciso tomar já uma decisão sobre a renovação da frota nuclear até quando se estender a vida operacional dos submarinos existentes, já que haverá a necessidade de renová-los em torno do ano 2022, explicou Blair. O projeto e construção dos novos submarinos demorarão cerca de dezessete anos, um pouco mais do que o inicialmente previsto. O governo britânico também anunciou nesta segunda que Londres vai se unir a um programa da Marinha dos Estados Unidos que permitirá estender até a década de 2040 a vida útil dos atuais mísseis Trident D5 que equipam os submarinos Vanguard. O líder da oposição conservadora, David Cameron, afirmou em resposta ao Primeiro-ministro que seu partido estava de acordo com a posição de Blair "em relação ao fundo e ao calendário" proposto. O líder liberal-democrata, Menzies Campbell, considerou que a decisão deveria ser postergada até 2014 para permitir um "estudo apropriado" de todos os fatores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.