Blair conversa com Grupo de Estudos sobre Iraque

O primeiro-ministro britânico Tony Blair participou de uma vídeo conferência nesta terça-feira com o Grupo de Estudo sobre o Iraque, semanas depois que o governo do Partido Trabalhista votou uma proposta para a retirada das tropas britânicas do Iraque. Os diálogos podem ser o início de uma mudança da estratégia usada pelas tropas da coalizão no país. As conversas com o grupo colocaram à mostra a primeira divergência entre Estados Unidos e Reino Unido. Enquanto Blair afirmou, na segunda-feira, que defende negociações com o Irã e a Síria para dialogar sobre a questão iraquiana, o governo Bush reiterou que só vai discutir com os iranianos caso o país abandone seu programa de enriquecimento de Urânio. Nesta terça-feira, Blair conversou por uma hora com o chefe do grupo, o ex-secretário de Estado americano James Baker e com o democrata Lee Hamilton, segundo informações de seu escritório oficial. Porém, sem se identificar, um porta-voz do escritório afirmou que informações mais detalhadas só vão ser divulgadas mais tarde. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, teve um encontro com o grupo na segunda-feira. Baker, que pretende recomendar uma nova estratégia ao país no Iraque até o fim deste ano, também teve uma reunião com o ex-secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld e com a Secretária de Estado, Condoleezza Rice. Os Estados Unidos esperam que o relatório apresentado ao país pelo grupo mostre caminhos mais eficientes para resolver a situação de violência no Iraque. A posição de Blair, entretanto, também tem um forte apelo político, já que o número de britânicos mortos no Iraque já chega a 125. As baixas do exército britânico devem intensificar as pressões para que seja fixado um calendário para a retirada das tropas britânicas do Iraque, proposta à qual Blair se opôs até agora por considerá-la contraproducente. O premier afirmou que as tropas só seriam retiradas do país quando as forças iraquianas puderem fazer a segurança local de maneira autônoma. Desde 2003, o governo britânico gastou 7,6 bilhões de dólares com a ocupação. As tropas, com 7.200 soldados, se concentram principalmente na região sul do Iraque.

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