Blair convoca mídia para discutir cobertura

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, convocou para esta semana uma reunião com dirigentes dos principais meios de comunicação do país para discutir a cobertura da campanha militar anglo-americana no Afeganistão, seguindo os passos do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Na semana passada, o governo Bush solicitou às redes de TV do país que não transmitissem declarações em videoteipe do saudita Osama bin Laden ou de seus partidários, acusados dos atentados do dia 11 de setembro nos EUA. As autoridades americanas pediram discernimento na avaliação do que é publicado, alegando que o material poderia conter mensagens em código. "Nós sentimos que é importante debater com os profissionais algumas das questões que surgem quando há um conflito, como aquele em que estamos no momento, considerando que uma organização que protege terroristas restringe o acesso da mídia (referência ao Taleban)", afirmou uma porta-voz do primeiro-ministro. As autoridades expressaram preocupação com os videoteipes que mostram Bin Laden e seus seguidores, veiculados pela emissora árabe de TV Al-Jazeera. No entanto, os órgãos de comunicação britânicos temem que Blair possa querer de fato censurar sua produção num momento em que uma crucial guerra de propaganda está sendo travada entre Bin Laden e os EUA e a Grã-Bretanha. O diretor da Redação da televisão pública BBC, Richard Sambrook, disse estar interessado em saber o que o governo tem a dizer, mas frisou que a emissora já está sendo vigilante. "Só uma parte do material de Bin Laden foi traduzido para o inglês, em um processo sobre o qual ele não teve nenhum controle", observou. A cadeia de TV ITN informou que ainda está avaliando se tomará parte no encontro. A revista norte-americana Time divulgou que os serviços de inteligência britânicos acreditam que os vídeos de Bin Laden podem conter códigos secretos chamando seus seguidores para mais ataques. Segundo um antigo assessor do saudita, hoje trabalhando para o serviço secreto dos EUA, o saudita disse frases que normalmente nunca diria, como a expressão "juro por Deus", ao prometer que os Estados Unidos não terão paz enquanto a Palestina não a tiver e "as armas dos infiéis não deixarem a terra de Maomé". Ainda neste domingo, Blair afirmou que as declarações de Bin Laden divulgadas pela Al-Jazeera são uma "confissão de culpa". Leia o especial

Agencia Estado,

14 Outubro 2001 | 21h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.