Blair depõe nos EUA sobre estratégia no Iraque

O depoimento que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, dará na terça-feira a uma comissão bipartidária criada nos EUA para rever a estratégia no Iraque pode aumentar a pressão interna sobre o premier, que até agora vinha rejeitando uma investigação de seu próprio Parlamento. Isso é o que se observa a partir da decisão de um grupo de deputados da Câmara dos Comuns de fazer nova tentativa para obrigar o Governo trabalhista a revelar a estratégia que busca no país árabe. Segundo o jornal britânicoThe Independent, deputados de vários partidos querem apresentar emenda ao discurso da Coroa, que a rainha Elizabeth II pronunciará na quarta-feira e no qual o Governo trabalhista estabelecerá suas prioridades para esta legislatura. Caso a iniciativa siga adiante, diz o jornal, o Governo teria de explicar em público o que está dizendo em particular aos Estados Unidos. Blair, contrário a que o Parlamento britânico inicie uma investigação sobre a invasão do Iraque, aceitou, no entanto, depor na terça-feira por videoconferência ao Grupo de Estudo sobre o Iraque, presidido pelo ex-secretário de Estado americano James Baker. O grupo se reunirá amanhã mesmo com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. A disposição mostrada por Blair para responder às perguntas nos EUA, enquanto rejeita uma investigação em seu país, foi duramente criticada neste fim de semana pelo líder dos liberais democratas (oposição), Menzies Campbell. O argumento de Blair e seus correligionários é que uma investigação parlamentar neste momento prejudicaria o moral das tropas britânicas que estão no país árabe e, por lado, encorajaria os insurgentes. Diante da postura do Governo Blair, o Senado americano - com nova maioria democrata - parece disposto a esclarecer como Washington e Londres teriam se juntado para acusar o ex-presidente iraquiano Saddam Hussein de impulsionar um programa nuclear militar. Também busca esclarecer como se chegou a relacionar, sem nenhuma prova, o ditador iraquiano à rede terrorista Al Qaeda. A essa altura e após o golpe para os republicanos nas eleições ao Congresso dos EUA, Bush e Blair querem mudar de estratégia. Assim, em Londres, fala-se da conveniência de tentar uma aproximação à Síria e ao Irã para aproveitar sua influência sobre os grupos xiitas do Iraque e impedir uma guerra civil que afetaria todo o Oriente Médio.

Agencia Estado,

12 Novembro 2006 | 19h36

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