Blair descarta ação militar contra o Irã

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, afirmou nesta quarta-feira que "ninguém está falando sobre uma invasão militar ou uma ação militar contra o Irã", embora o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, tenha se negado ontem a descartar o uso da força. "Disse constantemente que o Irã não é Iraque. Ninguém está falando de uma invasão militar", disse Blair em seu comparecimento semanal ao Parlamento. O chefe do Governo britânico ressaltou que a comunidade internacional adotou a via diplomática, "através do Conselho de Segurança da ONU", a fim de buscar uma solução para a crise nuclear do Irã. O líder do Partido Liberal-Democrata, Menzies Campbell, perguntou ao chefe do Governo sobre as declarações feitas na terça-feira por Bush, que afirmou que todas as opções continuam sobre a mesa para tentar solucionar o caso iraniano. Blair respondeu que é "perfeitamente sensato" que o presidente americano não descarte nenhuma opção, mas defendeu de novo a diplomacia, de modo que a comunidade internacional envie a Teerã "uma mensagem clara e de união". Segundo Blair, "não é o momento de mandar uma mensagem de fraqueza", quando o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, fala em "apagar a Israel do mapa". O primeiro-ministro também lamentou que "gente jovem se esteja oferecendo (no Irã) para ser terrorista suicida contra alvos dos Estado Unidos, Reino Unido e Israel" sob a "aceitação pelo menos tácita" do regime dos aiatolás. "É importante que atuemos se o Irã continuar transgredindo suas obrigações" internacionais, concluiu o chefe do Governo britânico. O Ministro do Exterior Jack Straw disse que enquanto o Irã mostra sinais de resposta à pressão internacional sobre seu programa nuclear, ele duvida que Teerã irá cumprir o prazo estabelecido pelo Conselho de Segurança da ONU para que cesse o enriquecimento de urânio. "Estamos trabalhando na base de que o Irão não irá cumprir as propostas do Conselho de Segurança no prazo de 30 dias", disse Straw à rádio British Broadcasting na Arábia Saudita. O ministro do Exterior disse que o Reino Unido e seus aliados vão esperar um relatório sobre o Irã do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, " e depois pensar nos próximos passos a serem tomados no Conselho de Segurança", concluiu. A tensão internacional provocada pela crise iraniana se agravou na semana passada, quando Ahmadinejad anunciou que seu país conseguiu completar o ciclo de produção de combustível nuclear, primeiro passo no processo de enriquecimento de urânio. Embora o Executivo de Teerã insista que seu programa nuclear só tem fins civis, como a geração de energia elétrica, Estados Unidos e União Européia consideram que o Irã pretende fabricar armas atômicas.

Agencia Estado,

19 Abril 2006 | 14h54

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