Blair descarta plano franco-germânico para o Iraque

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, qualificou de equivocado o plano franco-germânico de dar mais tempo aos inspetores de armas de destruição em massa da Organização das Nações Unidas (ONU), para que conduzam suas buscas no Iraque.A Grã-Bretanha e os Estados Unidos dariam a Saddam Hussein "mais uma chance final" para se desarmar antes de buscar a aprovação de uma nova resolução no Conselho de Segurança (CS) da ONU, disse Blair. França, Alemanha e Rússia divulgaram ontem um plano para fortalecer as inspeções de armas, ampliando-as para além de 1º de julho, com a esperança de evitar uma guerra."Não somos nós que temos de explicar por que estamos apresentando uma resolução declarando o que é um fato: que ele não está cooperando totalmente e está em violação da resolução 1.441", disse Blair."São outros que precisam dizer por que, depois de dada a eles um oportunidade final e de não a terem aproveitado, nós não deveríamos agir." Segundo Blair, a recusa de Saddam em cooperar de forma ativa e completa com os inspetores de armas da ONU significa que novas inspeções são desnecessárias."No centro desta proposta está a noção de que a função dos inspetores é entrar no Iraque para encontrar armas, localizá-las", disse o primeiro-ministro ao Parlamento."Definitivamente, este não é o papel dos inspetores. Eles não são uma agência de detetives. A questão não é tempo. É boa vontade. Se Saddam realmente tem vontade de cooperar, então os inspetores deveriam ficar lá até julho, depois de julho, quanto tempo eles quisessem."Blair disse aos parlamentares que Grã-Bretanha, Estados Unidos e Espanha esperarão um pouco antes de buscar a aprovação de uma nova resolução no CS da ONU. O texto foi apresentado ontem e diz que o Iraque perdeu sua última chance de desarmar-se pacificamente."Nós adiaremos um pouco para dar a Saddam sua chance final", disse ele.Diplomatas britânicos comentaram que provavelmente pressionarão pela votação da nova resolução no conselho em aproximadamente duas semanas.O esboço da resolução deverá causar um acalorado debate nas Nações Unidas, onde França e Alemanha lideram a oposição a uma possível guerra contra o Iraque.Tony Blair enfrenta o ceticismo da opinião pública britânica, dos membros da Câmara dos Comuns e até mesmo de políticos de seu partido, o Trabalhista.Na Câmara dos Comuns, os legisladores planejam para amanhã um debate profundo sobre a crise iraquiana.Segundo pesquisas, menos de 10% dos britânicos apóiam o engajamento de Londres numa ação militar contra o Iraque, se isso correr sem a chancela da ONU.

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