Blair descarta renúncia por suposta venda de títulos

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, descartou que irá deixar seu cargo antes do previsto por conta da polêmica da venda de títulos ao Partido Trabalhista, depois de ser interrogado pela segunda vez nesta quinta-feira. "Terão que agüentar um pouco mais", disse Blair em uma entrevista concedida nesta sexta-feira ao programa Today, da Radio 4 da BBC, após ser questionado se a investigação da Scotland Yard pode antecipar sua saída do governo.O primeiro-ministro foi interrogado pela segunda vez em uma semana por conta do recente escândalo da suposta venda de títulos de honra a empresários que fizeram doações ou empréstimos ao Partido Trabalhista, prática proibida por lei desde 1925.Blair reconheceu que seu possível sucesso, o ministro da Economia, GordonBrown, pode continuar com sua agenda de reformas nos serviços públicos e afirmou que deixar o poder por causa de uma investigação policial "não é uma forma democrática de decidir quem é o primeiro-ministro"."Creio que o mais sensato é esperar p resultado da investigação", acrescentou Blair. "Quando as investigações terminarem falarei com mais calma sobre qualquer assunto que perguntarem.Além disso, Blair negou que a investigação seja uma distração de suas obrigações como chefe de governo, enquanto pediu à população que não acredite em tudo o que lê porque algumas coisas que foram divulgadas são "completamente falsas".Blair assegurou que está disposto a falar publicamente sobre o assunto uma vez que termine a investigação policial, em algumas semanas.O primeiro-ministro insistiu em que quer apoiar uma série de medidas antes de deixar o poder, como uma reforma no Serviço Nacional de Saúde (NHS, sigla em inglês).Durante a entrevista, Blair se negou a entrar em detalhes sobre os dois interrogatórios a que foi submetido.A Scotland Yard começou a investigar o caso em março do ano passado depois de o Partido Nacionalista Escocês (SNP) denunciar que empresários que tinham emprestado dinheiro ao Trabalhismo para a campanha eleitoral de 2005 estavam recebendo títulos de lorde.Blair foi interrogado pela primeira vez em 14 de dezembro, mas não foi interpelado como suspeito.A polícia já interrogou várias pessoas, entre elas o empresário Lorde Levy, doador do Trabalhismo; Ruth Turner, diretora de relações do governo com o Partido Trabalhista; Christopher Evans, milionário do setor de biotecnologia que doou dinheiro à legenda; e o ex-assessor do Executivo Des Smith.

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