Blair diz que desarmamento é a única alternativa de Saddam

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, reiterou hoje que o desarmamento total e a abertura do Iraque para inspeções irrestritas são "a única alternativa" do presidente Saddam Hussein para evitar um ataque. Numa entrevista à rede BBC, Blair confirmou a intenção da Grã-Bretanha de agir sob um mandato das Nações Unidas, mas advertiu: "Tomamos o caminho da ONU, mas é importante que se esclareça que o caminho da ONU deve ser o modo para enfrentar o problema, e nunca para evitá-lo." Segundo ele, não há discordância quanto a dois pontos essenciais: primeiro, Saddam é uma ameaça e, segundo, deve ser desarmado. "A única dúvida está no caminho que devemos tomar para fazê-lo". O premiê disse esperar que a pressão internacional possa desarmar Saddam caso contrário, como membro da comunidade internacional, a Inglaterra deve estar preparada para obrigá-lo a fazer isso. Na segunda-feira e terça-feira, em Viena, autoridades das Nações Unidas e do Iraque discutem os aspectos técnicos para o programado regresso dos inspetores de armas ao país. Os detalhes serão debatidos pelo diretor da Comissão de Controle de Armas das Nações Unidas para o Iraque, o sueco Hans Blix, e o assessor da presidência iraquiana, Amir al-Sadi.As partes deverão tratar de questões alfandegárias para permitir a entrada de equipamentos especiais da equipe de inspetores no Iraque, determinar locais para pousos e decolagens de aviões e helicópteros e regulamentar a instalação de laboratórios e centros de comunicação para a equipe.A negociação é vista como um teste sobre a real intenção do Iraque de permitir a retomada das inspeções - suspensas há mais de três anos, quando Saddam expulsou a equipe do país depois de recusar-se a abrir os palácios para os investigadores. Caso se alcance um acordo, uma equipe avançada de inspetores viajará para o Iraque no dia 15.Em Bagdá, o governo iraquiano criticou hoje a pressão que os EUA vêm exercendo na ONU para obter "uma resolução firme e estabelecer um ultimato" para o Iraque. "Os EUA dirigiram-se a ONU utilizando uma linguagem peremptória e ditatorial, como se o Conselho de Segurança fosse um de seus organismos governamentais e os delegados dos países tomassem parte do pessoal da Casa Branca", disse o jornal As Saura, órgão oficial do partido único Baath.Três congressistas norte-americanos - os democratas Jim McDermott, Michael Thompson e David Bonior -, que estão em visita ao Iraque qualificaram hoje de "bárbaras" as sanções econômicas que vigoram contra o país desde 1991. "A idéia (das sanções) era pressionar o povo iraquiano para que derrubasse Saddam, mas só conseguimos castigar a população. E isso deve parar", disse McDermott.

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