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Blair diz que não negocia libertação de militares presos no Irã

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta quinta-feira, 29, que o Reino Unido não irá negociar com o Irã sobre os marinheiros e fuzileiros navais capturados na última sexta-feira, 23, no Golfo Pérsico.Em entrevista para a rede ITV News, Blair voltou pediu pela liberação incondicional dos 15 militares capturados pelo Irã na semana passada. "O mais importante para nós é tê-los de volta em segurança, mas não podemos conceder barganhas", disse o premiê britânico. "O que não se pode fazer é acabar negociando a libertação de reféns; acabar admitindo um toma lá dá cá. Isso não é aceitável."O Reino Unido buscou ajuda internacional ainda na quinta-feira para isolar o Irã e obrigar o país a libertar os 15 marinheiros britânicos capturados no Golfo Pérsico. O Irã respondeu à manobra adiando a libertação da única mulher que faz parte do grupo.A disputa, que já dura seis dias, elevou o nível de tensão no Oriente Médio, que já estava alto por causa da preocupação com o programa nuclear iraniano, e voltou a abalar o mercado de petróleo.Nesta quinta-feira, por alguns instantes, o preço do barril de petróleo chegou a bater um novo recorde nos últimos seis meses, atingindo os US$ 66. A valorização decorre do temor de que as disputas interfiram na exportação, num momemtno em que as reservas de gasolina dos EUA estão em declínio e a demanda pelo combustível não pára de crescer. O Reino Unido insiste que seus 15 marinheiros e fuzileiros foram capturados em águas iraquianas, e publicou o que afirma serem provas do posicionamento do grupo no momento da captura (veja mapa ao lado).Cooperação internacionalO governo britânico está buscando o apoio do Conselho de Segurança da ONU, que deve divulgar uma declaração na quinta-feira "condenando" a atitude do Irã e pedindo a libertação imediata dos britânicos.Fontes do governo disseram que o Reino Unido vai discutir medidas práticas contra o Irã numa reunião no fim de semana com ministros das Relações Exteriores da União Européia.Segundo o premiê britânico, o Reino Unido não quer uma confrontação com o Irã. Ainda assim, ele não descartou ampliar as pressões caso Teerã insista em manter os militares cativos. "Nós teremos que continuar pressionando, seja através da ONU e da União Européia, ou por meio de outras maneiras que encontrarmos para fazê-los entender não apenas que estão errados, mas que a insistência deles só irá resultar em mais tensões. Por isso é importante resolver isso agora" disse o premiê.InsistênciaO Irã, entretanto, deixou claro que manterá sua posição inicial. Em aparição na agência de notícias iraniana Mehr, o comandante Alireza Afshar mostrou supostas provas de que os barcos dos britânicos teriam entrado no território iraniano diversas vezes, e que o Irã tem imagens para comprovar isso.Além disso, o governo iraniano voltou atrás em sua decisão de soltar a única mulher do grupo de 15 militares nesta quinta-feira. "A libertação da soldado britânica foi suspensa", disse Afshar. "O comportamento equivocado daqueles que moram em Londres provocou a suspensão." O comandante disse que o Reino Unido precisa pedir desculpas por ter entrado nas águas iranianas e prometer que isso não se repetirá."Com a desculpa de controlar os navios que entram no Iraque, eles querem que vire norma violar a soberania de outros países", disse Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, à TV estatal. "Mas eles têm de saber que o custo disso não é pequeno."SançõesNo último sábado, 24, a ONU impôs novas sanções ao Irã por causa de seu polêmico programa nuclear. Além disso, os Estados Unidos estão conduzindo seus maiores exercícios de guerra nas águas do Golfo Pérsico em quatro anos. Mas o subsecretário de Estado dos EUA, Nicholas Burns, disse ao Senado americano que os dois porta-aviões não estão no golfo "para provocar nenhum tipo de conflito com o Irã".Alex Bigham, do Centro de Política Externa de Londres, disse que é possível que o Irã esteja tentando desviar a atenção de seu programa nuclear. O Reino Unido interrompeu as viagens oficiais entre o país e o Irã e suspendeu a emissão de vistos e o apoio a missões comerciais.Os outros países não tomaram medidas concretas, mas manifestaram forte apoio aos britânicos. O Ministério das Relações Exteriores francês convocou o diplomata iraniano na França para exigir a libertação rápida dos marinheiros.Mohammad Ali Hosseini, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, disse à agência Irna que a "interferência" de terceiros não vai ajudar a solucionar a questão. Texto ampliado e atualizado às 17h18

Agencia Estado,

29 de março de 2007 | 15h04

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