Blair diz que opinião pública não vê o perigo do extremismo

A opinião pública ocidental não vê o perigo que representa o extremismo islâmico, algo percebido por seus líderes, afirma o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, em entrevista ao jornal israelense "Ha´aretz"."Acho que os líderes europeus têm isso claro, mas entre os povos da Europa e na opinião pública ocidental ainda há uma grande batalha para ganhar", diz o premier.Blair afirma que "ainda existe uma certa ingenuidade sobre (o que representam) organizações como (a guerrilha libanesa) Hezbollah ou países como o Irã".O premier encerrou nesta segunda-feira a etapa israelense e palestina de sua viagem pelo Oriente Médio, na qual expressou seu apoio a uma solução negociada ao conflito entre os dois lados e encorajou seus respectivos dirigentes, o primeiro-ministro Ehud Olmert e o presidente Mahmoud Abbas, a começarem um processo de diálogo.Nesse sentido, Blair disse que uma solução para o conflito deve ser negociada e justa, e que isso é do "interesse não apenas de ambos os povos, mas também de América, Europa e muitos países árabes e muçulmanos que querem um futuro moderno"."Há um interesse estratégico enorme em assegurar-nos que o extremismo não tenha êxito", ressaltou sobre a relação entre os problemas e a necessidade de frear o islamismo extremista também dentro da Autoridade Nacional Palestina (ANP).Consultado sobre o extremismo islâmico interno que brotou das sociedades européias democráticas, Blair destacou a emergente "cultura da culpa" no Ocidente, que leva a opinião pública a assumir a responsabilidade por estes fenômenos."Não é que nós tenhamos feito necessariamente algo ruim, mas parte do problema que temos hoje na opinião pública ocidental é que sempre tentam dizer que a culpa é nossa"."Por isso, temos um jovem britânico de origem paquistanesa diante de uma câmara de televisão dizendo que vai matar gente inocente por causa da opressão aos muçulmanos, quando eles mesmos cresceram em um país no qual desfrutaram de plena liberdade religiosa e direitos democráticos", concluiu.

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