Blair diz que renuncia se denúncia da BBC estiver certa

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, negou que seu governo tenha tornado "mais atraente" um dossiê sobre armas de destruição em massa do Iraque, incluindo deliberadamente informações não confiáveis, como denunciou a BBC numa reportagem, e disse que se a acusação fosse verdadeira, ele teria de renunciar. Testemunhando perante um inquérito judicial sobre o aparente suicídio de um especialista de armas identificado como a fonte da matéria da BBC, Blair afirmou que a reportagem foi um ataque contra sua integridade e levou os britânicos a acreditar que seu governo os ludibriou sobre a estimativa da ameaça apresentada pelo Iraque. "Tratou-se de um ataque que chegou não apenas ao coração do escritório do primeiro-ministro, mas também à forma que operam nossos serviços de inteligência. Ele foi, de certa forma, um ataque à credibilidade, sinto, do país", avaliou Blair. "Foi uma acusação absolutamente fundamental. Foi uma alegação, que se fosse verdadeira, que mereceria minha renúncia", confessou Blair, ao tornar-se o segundo primeiro-ministro da história britânica a testemunhar num inquérito do tipo. A reportagem provocou uma áspera disputa pública entre o governo e a BBC, concentrando a atenção da nação no debate já em andamento sobre a incapacidade das forças de coalizão de encontrar as armas de destruição em massa no Iraque, a principal justificativa apresentada por Blair para ir à guerra.

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