Blair e Bush reiteram intenção de atacar o Iraque

Durante reunião extraordinária com o gabinete para debater a questão iraquiana, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, insistiu nesta segunda-feira que a "política de contenção" em relação ao Iraque fracassou e é preciso deter o presidente Saddam Hussein.Ele apresentou aos ministros um dossiê detalhando a acumulação de armas de destruição em massa pelo regime iraquiano e nesta terça-feira tornará público o material, horas antes de uma sessão do Parlamento para debater o assunto. O líder britânico não precisa, porém, de aval parlamentar para decidir sobre a entrada do país numa guerra.Nos EUA, os congressistas estão propensos a dar ao presidente George W. Bush autorização para intervir militarmente no Iraque, mas democratas querem alterar o texto da Casa Branca para explicitar que o aval só se refere a esse país e não a todo o Oriente Médio. A resolução de Bush diz que o objetivo é "defender os interesses de segurança dos EUA contra a ameaça representada pelo Iraque e restaurar a segurança e a paz internacional na região". "É muitíssimo ampla. Não há nenhum limite aos poderes presidenciais", disse o democrata Carl Levin, presidente do Comitê dos Serviços Armados do Senado.Bush voltou a pedir hoje ao Congresso e à ONU a aprovação de "resoluções para o desarme do regime iraquiano", em discurso de tom agressivo em New Jersey. Ele repetiu que, se a ONU não agir para impor as exigências, os EUA o farão - numa referência à ameaça de intervir militarmente no Iraque.Blair enfrenta oposição de membros do gabinete e do partido, o Trabalhista, a um ataque sem o aval da ONU. Dois ministros expressaram reservas sobre uma intervenção militar - Clare Short, do Desenvolvimento Internacional, e Margaret Beckett, de Assuntos Rurais - e também o líder trabalhista na Câmara dos Comuns, Robin Cook. A sessão parlamentar promete ser agitada.Um dos deputados mais críticos aos planos de guerra, o veterano trabalhista Tom Dalyell, planeja apresentar uma moção urgente expressando a oposição da maioria da Câmara à participação do país numa intervenção militar contra o Iraque.Há o receio que Blair - principal aliado de Bush - se disponha a participar de um ataque não apenas para desarmar o Iraque, mas para depor Saddam. O líder britânico tem negado apoiar ações para mudar o regime em Bagdá.O principal partido de oposição, o Conservador, manifestou apoio a um ataque. "Não há dúvida de que, apesar dos desmentidos, apesar das sanções, apesar das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, ele (Saddam) está dando continuidade a seu programa armamentício", disse Blair. "Não estamos falando de resíduos do passado, mas de um programa atual e em desenvolvimento." Mas um diplomata que teve acesso ao texto disse que ele não traz uma resposta conclusiva sobre a necessidade de atacar o Iraque agora.Um porta-voz de Blair antecipou que o esboço da nova resolução do CS da ONU para o Iraque será divulgado em alguns dias e não em semanas. O objetivo é delimitar as obrigações do Iraque e impor um prazo-limite para o desarme.

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