Blair e Bush vão discutir ação militar contra Iraque

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, se reúne no próximo fim de semana com o presidente americano, George W. Bush, para discutir um possível plano de ação militar contra Bagdá. Um porta-voz de Downing Street revelou nesta segunda-feira que Blair recebeu uma "permissão exclusiva" do Palácio de Buckingham e da rainha Elizabeth II para viajar ao Texas, onde se entrevistará com o mandatário americano, e acrescentou que de modo algum a entrevista entre ambos os líderes será parte de um "gabinete de guerra". A visita de Blair ao Texas tem criado muita tensão entre os parlamentares trabalhistas que se opuseram totalmente a uma ação militar contra o Iraque e à administração de Saddam Hussein. Mais de 140 deputados de diferentes blocos políticos do país assinaram, na semana passada, um pedido oficial expressando "profunda preocupação" com a possibilidade de que as Forças Armadas britânicas apóiem uma guerra organizada pelos EUA para atacar Bagdá."A visita de Blair ao presidente Bush é outro erro gravíssimo cometido pelo nosso premier inglês", declarou à Ansa George Galloway, legislador trabalhista e um dos maiores críticos das políticas belicistas de Blair. Não é possível que, durante um período de luto nacional e quando o Parlamento foi convocado para render homenagem à rainha-mãe, nosso primeiro-ministro se reúna no rancho do Texas com Bush, para discutirem se atacam ou não Bagdá. É uma vergonha para o povo da Grã-Bretanha e seu governo", disse Galloway em tom enérgico.Por sua vez, a secretária de Desenvolvimento Internacional e ativo membro do gabinete de Blair, Claire Short, expressou sua preocupação diante da perspectiva de uma guerra contra o Iraque e ameaçou renunciar ao cargo se as tropas britânicas forem utilizadas em uma campanha militar que não seja apoiada pela ONU. O chanceler britânico, Jack Straw, destacou que qualquer ação contra o Iraque deve realizar-se respeitando as leis internacionais e com aprovação especial da ONU, que ainda insiste no envio de inspetores especializados para controlar o Estado e a quantidade de armas de Saddam Hussein no Iraque. Straw também revelou que não será publicado o informe que acusava Saddam Hussein de estar vinculado ao terrorismo internacional e fabricar armas nucleares ou bioquímicas, depois de receber uma chamada de última hora de Blair, que o obrigou a retardar a divulgação das provas oficiais contra o líder iraquiano. O respeitado deputado trabalhista Tam Dalyell, um dos legisladores com mais anos em serviço na Grã-Bretanha, declarou ser "absolutamente contrário" a uma campanha militar contra o Iraque e participou no último sábado de uma manifestação pacifista no centro de Londres, organizada pela Associação de Desarmamento Nuclear, contra um ataque a Bagdá. Dalyell declarou que até mesmo os iranianos, que lutaram numa devastadora guerra de mais de oito anos contra Saddam Hussein, se opuseram a um ataque contra o Iraque. "Não é bom demonizar Saddam Hussein. Ele não é uma pessoa muito agradável, mas demonizá-lo e a seu país não é uma atitude civilizada", declarou Dalyell. No último fim de semana, o líder da Igreja Católica na Grã-Bretanha, o cardeal Cormac Murphy-O´Connor, declarou que as ações do país que não ajudem a conseguir um acordo de paz no Oriente Médio não devem ser levadas a sério. "Se um ataque unilateral ao Iraque causar instabilidade na região, isto pode provocar o fim da última esperança de paz no Oriente Médio. Atacar o Iraque é uma decisão muito perigosa" advertiu o prelado católico. Blair precisou pedir autorização à rainha devido à recente morte da rainha-mãe - falecida no sábado aos 101 anos - e poderá viajar aos EUA em caráter "excepcional". O primeiro-ministro inglês encabeçará as homenagens quando o féretro da rainha-mãe for transferido, na próxima quarta-feira, para a Abadia de Westminster, onde poderá ser visitado pelos britânicos. O porta-voz de Blair declarou que o premier, que irá ao Texas nos próximos dias, deverá estar presente aos funerais da idosa rainha, que se realizarão na terça-feira, 9 de abril.

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