Blair "exagerou" e "dramatizou" ameaça do Iraque, diz Blix

O ex-chefe de inspetores de desarmamento das Nações Unidas, Hans Blix, disse hoje que o governo do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, "exagerou" e "dramatizou" a ameaça representada pelas armas do Iraque. Blix declarou à rede BBC que, antes da invasão, "a intenção dos políticos era a de dramatizar, da mesma forma que os comerciantes tentam exagerar a importância de sua mercadoria". "Dos políticos e dos líderes do mundo ocidental, deveríamos esperar um pouco mais. Um pouco mais de sinceridade", assinalou Blix. Ele ressaltou no entanto que suas declarações não significavam uma acusação de que Blair e o presidente dos EUA, George W. Bush, agiram de má-fé. O ex-chefe dos inspetores afirmou que as agências de inteligência ocidentais se mostraram excessivamente predispostas a tomar como seguras as informações duvidosas fornecidas por dissidentes iraquianos. O ex-inspetor de desarmamento disse ainda que não havia compreendido o sentido da advertência do governo britânico de que o Iraque poderia lançar um ataque com armas de destruição em massa em 45 minutos, e citou a afirmação como um exemplo de como se tentou dramatizar o caso. Antes da guerra, Blix havia apresentado um relatório ao Conselho de Segurança da ONU no qual dizia não ter encontrado provas de que o Iraque estivesse produzindo armas químicas ou biológicas em laboratórios instalados em caminhões nem desenvolvendo atividades subterrâneas proibidas. Uma equipe de especialistas, liderada pelo americano Davis Kay encarregada de encontrar os supostos arsenais proibidos de Saddam não encontrou nenhum rastro dessas armas. Esse resultado pôs em xeque a credibilidade tanto de Bush quanto de Blair - que se utilizaram do argumento de que as armas de destruição em massa de Saddam eram uma ameaça para a humanidade para lançarem a invasão do Iraque.

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