Blair: iraquianos assumirão segurança quando estiverem prontos

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse nesta segunda-feira em Bagdá que a segurança no Iraque será transferida pelas tropas multinacionais ao exército e à polícia iraquianos quando estes estiverem preparados para proteger o país.Blair respondeu assim em entrevista coletiva ao primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, que havia dito anteriormente que existe um calendário para a transferência, a partir de junho, das tarefas de segurança no Iraque às Forças de Segurança iraquianas."O importante são as circunstâncias no território, e não as datas", disse Blair na entrevista coletiva, ao lado do primeiro-ministro iraquiano. Al-Maliki disse que no final deste ano as forças multinacionais terão transferido às iraquianas as tarefas de segurança em 16 das 18 províncias do país, exceto em Bagdá e na província de Al Anbar, fronteiriça com a Síria e reduto da insurgência sunita.O premier disse que em junho o Exército e a Polícia iraquianos se encarregarão da segurança nas províncias de Samawa e Amara, no sul e sudeste do país, e cujos habitantes são em sua maioria xiitas.Um funcionário britânico da comitiva de Blair afirmou que a retirada do atual contingente, de 7.200 soldados, será feita em quatro anos, com o início da entrega do controle à civis em várias províncias no final de 2006. Ele disse ainda que os britânicos ainda poderão continuar treinando forças iraquianas, mas "a escala de soldados que temos hoje irá mudar nos próximos quatro anos".Blair considerou "importante ter um calendário", mas insistiu na necessidade de acelerar a formação do Exército e da Polícia do Iraque para que sejam capazes de proteger a segurança.Segurança no Iraque Tanto Blair como Al-Maliki concordaram que, apesar das crescentes ações de violência, a situação no Iraque é muito melhor que durante a "época da ditadura" de Saddam Hussein, cujo regime foi derrubado em 2003."Os iraquianos têm agora um Governo democraticamente eleito", disse o chefe do Governo britânico, que elogiou que na nova Administração, a primeira não-provisória no Iraque do pós-guerra, estão representados os xiitas, os sunitas e os curdos iraquianos.Al-Maliki, por sua parte, negou que o Iraque esteja vivendo uma guerra civil e responsabilizou a violência no país a "grupos de terroristas e criminosos".O premier reafirmou que seu Executivo atuará para desarmar as milícias dos diferentes grupos políticos, já que "as armas têm que estar nas mãos do Governo" para evitar o risco de um conflito interno.O presidente iraquiano, o curdo Jalal Talabani, lamentou que só em abril passado foram achados em Bagdá os cadáveres de mais de mil iraquianos assassinados em ações de violência sectária que aumentaram no Iraque após o ataque de 22 de fevereiro contra um mausoléu xiita em Samarra, ao norte da capital.Após seu Governo ser aprovado no sábado passado pelo Parlamento, Al-Maliki afirmou que a prioridade de seu gabinete é o restabelecimento da segurança no Iraque, e disse que lutará com força contra "todas a formas de terrorismo no país".Retirada americanaA retirada de soldados britânicos aumentará a pressão para que os Estados Unidos façam o mesmo. A administração Bush, no entanto, recusou-se a tomar tal decisão em várias ocasiões, pois teme que a retirada seja vista como uma vitória dos insurgentes ligados à Al-Qaeda. Blair deve viajar para Washington na próxima semana para reuniões com o presidente Bush sobre estratégias futuras para o Iraque. As negociações podem ser menos amigáveis do que o normal se o Reino Unido realmente pressionar o presidente americano a retirar suas tropas do país.

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