Blair ´lava as mãos´ sobre venda de histórias de militares

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse nesta quarta-feira, 11, após as críticas recebidas em seu país, que não foi consultado sobre a liberação dos militares britânicos para venderem suas histórias aos meios de comunicação."Eu não sabia da decisão antes de ela ter sido tomada", afirmou Blair, dizendo que Browne não o consultou sobre a venda de histórias à mídia.Blair fez o comentário depois que seu ministro da Defesa, Des Browne, assumiu também nesta quarta-feira toda a responsabilidade pela decisão de permitir que dois dos quinze militares britânicos capturados vendessem seus histórias à imprensa. "Vendo as coisas em perspectiva, foi uma boa idéia? Não", reconheceu Blair, ao ser perguntado sobre o assunto durante uma visita ao País de Gales."Voltará a acontecer de novo? Não", assegurou o primeiro-ministro, embora tenha ressaltado que o governo atuou "completamente de boa fé" ao tomar a polêmica decisão.Já Browne admitiu que, vendo as coisas em perspectiva, "teria tomado uma decisão diferente".EntrevistasA marinheira Fayed Turner - única mulher do grupo retido - e o marinheiro Arthur Batchelor revelaram no fim de semana passado em entrevistas exclusivas detalhes da captura, pelo qual receberam grandes quantias."A responsabilidade por isto é minha", reconheceu Browne, depois que os partidos da oposição e familiares de soldados mortos no Iraque expressassem seu mal-estar pela venda das histórias."Apesar de ter sido uma decisão da Marinha, assumo a responsabilidade", afirmou o ministro, que disse ter analisado durante o fim de semana a decisão e viu seu erro.Browne acrescentou que o primeiro-ministro, Tony Blair, estava ao corrente da situação no fim de semana, quando começou a polêmica, apesar de ter esclarecido que seu primeiro contato direto com o chefe de governo ocorreu na segunda-feira, dia 9.Naquele dia, Browne tomou a decisão de impedir que outros militares pudessem vender suas histórias à imprensa britânica.Além disso, o ministro confirmou que na próxima segunda-feira fará uma declaração parlamentar sobre as operações britânicas no Iraque e Afeganistão.Turner, de 25 anos, concedeu entrevistas ao jornal sensacionalista The Sun e à rede de televisão "ITV", nas quais assegurou que seus treze dias de cativeiro não tiveram nada a ver com o que refletiam os vídeos divulgados por Teerã.Batchelor, de 20 anos, o mais jovem do grupo, admitiu ao Daily Mirror que estava aterrorizado e que chorou "como um bebê".Os políticos da oposição e familiares de soldados mortos em combate criticaram o governo por autorizar os marinheiros a conceder entrevistas em troca de dinheiro.InvestigaçãoO porta-voz da Defesa do opositor Partido Conservador, Liam Fox, pediu uma investigação sobre o caso dos militares, capturados em 23 de março no Golfo Pérsico pela força naval iraniana.O Reino Unido assegurou que os militares foram retidos em águas iraquianas, enquanto o governo de Teerã insistiu em que os britânicos entraram em águas jurisdicionais iranianas.Os militares foram libertados no dia 5 por decisão do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

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