Blair mentiu sobre armas no Iraque, diz ex-secretária

Uma ex-integrante do gabinete do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o acusou hoje de ter manipulado informação de inteligência a fim de justificar a guerra no Iraque e disse que ele "ludibriou" seus colegas sobre as supostas armas de destruição em massa. "O primeiro-ministro decidiu ir à guerra em algum momento de agosto e nos ludibriou todo o tempo", disse a ex-secretária de Desenvolvimento Internacional, Clare Short, em entrevista publicada hoje no The Sunday Telegraph."Ele decidiu por razões que só ele conhece ir à guerra e criar uma sensação de urgência. A forma como a informação de inteligência foi distorcida fez parte daquela pressão", avaliou ela, segundo o jornal. Short renunciou no mês passado, acusando irritadamente Blair de ter quebrado sua promessa de dar às Nações Unidas um papel central na reconstrução e administração pós-guerra no Iraque. Ela denunciava antes da guerra que o premier estava tratando a crise de forma "profundamente irresponsável" e ameaçava renunciar, mas manteve-se no gabinete durante todo o conflito.O fato de as tropas americanas e britânicas não terem ainda conseguido encontrar provas de que Saddam Hussein tinha armas proibidas está criando um sério problema político para Blair, segundo quem a ameaça apresentada pelas armas justificava a guerra. Ele reiterou hoje que a busca por armas ilegais irá eventualmente provar que estava certo."Eu tenho dito ao povo para esperar pelas conclusões desse processo. Ainda existem montes de lugares a serem investigados. Ao invés de fazer um comentário apressado sobre isso, vamos acumular evidências e oferecê-las às pessoas", afirmou ele a jornalistas em Evian, na França, onde participa da reunião do Grupo dos Oito. "Eu simplesmente digo às pessoas que já assumiram uma posição: esperem."O ex-secretário do Exterior, Robin Cook, que renunciou ao cargo de líder da Câmara dos Comuns em protesto contra a guerra, disse à rádio BBC que o governo cometeu um "erro monumental" aderindo à guerra. "O governo deveria admitir que estava errado e eles precisam esclarecer isso através de uma investigação independente sobre o que os levou a fazerem isso, para que nunca mais aconteça, para que nunca mais enviemos tropas britânicas com base em um erro", pediu.O atual secretário do Exterior, Jack Straw, em entrevista à TV BBC, repetiu recentes sugestões do secretário da Defesa americano, Donald Rumsfeld, de que Saddam Hussein pode ter destruído algumas de suas armas antes do início da guerra. Ele acrescentou que tem confiança que serão encontradas provas sobre as armas ilegais e considerou que as críticas de Short não têm fundamento."A inteligência certamente não estava errada", garantiu Straw. "A evidência está aí, foi publicada. Eles tinham esses sistemas de armas e os estavam desenvolvendo. Não tomamos a decisão militar com base em alguma contingência, como o que poderíamos encontrar posteriormente. Nós a tomamos plenamente com base na evidência declarada e revelada."Segundo ele, Saddam certamente destruiu alguma evidência sobre suas armas. "Acredito, portanto, que houve um grande esforço na preparação para a ação militar para esconder um monte dessas coisas e enganar a comunidade internacional, mesmo depois do fim da ação militar", disse.

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