Blair pede apoio e Bush reconhece erros da guerra no Iraque

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu nesta sexta-feira mais ajuda internacional para a democracia do Iraque, que luta para se estabelecer, e apelou para a reconciliação no país. O premier realizou um discurso na Universidade de Georgetown, no qual a guerra foi o assunto principal. "Existe um filho da democracia esperando para nascer", afirmou o premier. "Se os iraquianos podem demonstrar sua fé na democracia votando por ela porque não podemos mostrar nosso apoio a eles?", acrescentou."A guerra dividiu o mundo", reconheceu o ministro, o principal aliado de Bush na invasão do Iraque em 2003. "A luta dos iraquianos pela democracia deve uni-lo", Segundo o premier, durante sua vista ao Iraque, os líderes locais demonstraram o desejo de constituir um Estado democrático. "Eles querem governar pela lei, não pela violência". Em uma coletiva de imprensa na Casa Branca na quinta-feira, Blair e o presidente George W. Bush estavam defensivos ao invés de comemorar o sucesso político recente em Bagdá, com a formação do novo governo. Erros e retrocessos Bush reconheceu que o derramamento de sangue no Iraque é difícil para o mundo compreender. Blair definiu a violência como "desagradável". Contudo, Bush afirmou que apesar "dos retrocessos e erros, os americanos e seus aliados fizeram e estão fazendo a coisa certa. Os erros incluiriam o abuso de prisioneiros iraquianos em Abu Ghraib, apesar de o presidente ter alegado que os responsáveis já foram presos. O presidente disse ainda que aprendeu a "falar menos" através de afirmações precipitadas, como quando disse que Osama bin Laden "era procurado morto ou vivo" e quando desafiou os inimigos dos Estados Unidos. "Aprendi algumas lições sobre me expressar de uma maneira um pouco mais sofisticada". Blair informou que os líderes não puderam prever desafios como a força da insurgência iraquiana. "Isso deveria ser algo óbvio para nós".Retirada das tropasA coletiva de imprensa foi realizada após o encontro privado entre os dois e terminou duas horas depois. Blair informou o presidente americano sobre sua reunião na segunda-feira com o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki. O premier iraquiano considera as forças de segurança do país preparadas para assumir a segurança dentro de 18 meses. "Acho que é possível que aconteça da maneira que propôs o primeiro-ministro al-Maliki", disse Blair. "Para que isto aconteça, obviamente, a primeira coisa que precisamos é de um governo forte em Bagdá que esteja preparado para se impor em todo o país", acrescentou. Bush e Blair não deram informações específicas sobre quando os soldados de seus países poderão voltar para casa. "Vamos trabalhar com nossos parceiros no Iraque, o novo governo, para determinar o caminho a seguir", argumentou Bush. Segundo ele, a meta continua sendo a mesma "um Iraque que possa se sustentar e se defender sozinho".O presidente americano recusou-se a comentar os relatos do Pentágono sobre uma possível redução do atual contingente, de 131 mil solados, para 100 mil até o fim do ano. O Reino Unido possui cerca de 8 mil soldados no Iraque. De acordo com Blair, o objetivo é que as forças de segurança do país possam "tomar o controle progressivamente". Questão iranianaSobre outro tópico importante na agenda dos líderes, Bush e Blair não revelaram suas posições sobre possíveis incentivos para que o Irã encerre seu programa de enriquecimento de urânio.Bush foi evasivo sobre as recentes negociações com Teerã, incluindo a carta enviada pelo presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad. Bush disse que leu a carta, e comentou: "Achei interessante." Contudo, ele acrescentou que o líder iraniano não abordou a questão mais importante: se o país irá cessar ou não seus esforços de desenvolver um programa nuclear."Assassinato" de BlairEm Londres, o polêmico deputado britânico George Galloway disse nesta sexta-feira que seria "moralmente justificável" assassinar o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, por causa da invasão do Iraque, mas insistiu que não estava defendendo que alguém tentasse matar o chefe de governo. Numa entrevista concedida a revista GQ, Galloway comentou que um ataque a Blair que não provocasse mais nenhuma vítima seria uma resposta justificada à invasão do Iraque. "Isso seria totalmente lógico, explicável e moralmente equivalente a ordenar a morte de milhares de pessoas inocentes no Iraque, como fez Blair", publicou a revista, citando as declarações de Galloway. Mas Galloway assegurou que avisaria à polícia se soubesse de alguém que planejasse assassinar o primeiro-ministro. "Penso que é melhor não dizer nada", limitou-se a responder um assessor de Blair que pediu para não ser identificado. Galloway foi expulso do Partido Trabalhista, de Blair, por incitar os soldados britânicos a não lutarem no Iraque. Pouco depois ele fundou o Partido Respeito e obteve uma cadeira na Câmara dos Comuns. O deputado está em Cuba atualmente e não foi possível confirmar com ele a exatidão das declarações.

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