Blair pede que Saddam Hussein não seja executado

O primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, disse nesta segunda-feira que é contra a pena de morte para Saddam Hussein - uma afirmação relutante, feita com seus colegas da União Européia e não com seus aliados americanos. Mas a oposição da UE à sentença parece ser mais uma reafirmação de princípios do que um desafio sério que pode afetar a imposição da sentença. Na entrevista coletiva mensal na residência oficial de Downing Street, Blair não quis dar uma opinião específica sobre a condenação ditada no domingo pelo Tribunal Especial iraquiano, mas disse que Saddam cometeu crimes terríveis, "além do que qualquer um possa imaginar". O chefe do governo acrescentou, no entanto, que seu país se opõe à pena de morte em geral, mas ressaltou que a decisão coube à Justiça do Iraque. "A Grã-Bretanha é contra a pena de morte, seja para Saddam ou para qualquer um", disse o primeiro-ministro. Após várias perguntas dos jornalistas sobre a pena de morte imposta ao ex-ditador, Blair - visivelmente irritado com a insistência - enfatizou a comparação entre o Iraque sob Saddam Hussein e o de agora, libertado da tirania, apesar da atual situação. Blair especificou que os iraquianos querem a democracia e ressaltou que a atual batalha merece ser travada pelo futuro do mundo árabe. Ao ser perguntado novamente sobre a condenação, o primeiro-ministro disse que a ministra de Assuntos Exteriores, Margaret Beckett, já manifestou a posição do Reino Unido a respeito. Beckett indicou que Saddam foi obrigado a prestar contas pelos crimes cometidos. "É correto que os acusados por estes delitos contra a população iraquiana tenham que enfrentar a Justiça", indicou a titular da diplomacia britânica. O Tribunal Especial iraquiano condenou Saddam e dois de seus colaboradores mais próximos à pena de morte por "crimes contra a humanidade", e decretou o enforcamento dos três.

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