Blair relaciona crise no Oriente Médio à questão palestina

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse nesta terça-feira ao Grupo de Estudo sobre o Iraque que, para que se estabilize não só a situação iraquiana mas todo o Oriente Médio, é fundamental a resolução do conflito israelense-palestino. Blair teve uma conversa "séria e aprofundada" de uma hora via videoconferência com o grupo, o qual estuda alternativas para a política anglo-americana no Iraque, segundo um porta-voz do premier. O primeiro-ministro fez uma breve consideração inicial ao painel bipartidário, liderado pelo republicano e ex-secretário de Estado americano James Baker e o democrata Lee Hamilton, e respondeu a uma série de perguntas. Blair não estabeleceu qualquer cronograma para a retiradas das tropas estrangeiras do Iraque, mas sublinhou a importância do que chamou, num discurso na segunda-feira, de "uma estratégia para todo o Oriente Médio" para se conter o extremismo na região. Segundo o porta-voz, foi destacada "repetidamente para o grupo" a importância da resolução do conflito israelense-palestino. "O maior fator individual, frisou ele, para conseguir que países muçulmanos moderados apóiem o novo Iraque será se houver progresso na questão Israel e Palestina", relatou o porta-voz, que, como de costume, pediu para não ter seu nome divulgado. Resolução A resolução do conflito israelense-palestino é "importante por direito próprio, mas também eliminará uma questão que é a mais explorada por elementos extremistas na região", disse Blair. Tendo uma estratégia positiva para se resolver a questão israelense-palestina, continuou, a Grã-Bretanha e os EUA ganharão o apoio de muçulmanos moderados, fazendo com que o Irã e a Síria fiquem sob forte pressão para colaborar nos esforços de paz, explicou. Blair disse ao grupo acreditar que Teerã é "uma ameaça estratégica para a região", relatou o porta-voz. O premier afirmou que "a única forma de lidar com o Irã não é recuando em nossas exigências, mas retirando sua capacidade de explorar a opinião muçulmana e confrontando tanto o país quanto a Síria com a escolha estratégica sobre se apoiará a solução, ou enfrentará um isolamento" que terá grande impacto sobre suas economias. Blair também relacionou três áreas-chave em que a Grã-Bretanha, EUA e seus aliados devem oferecer apoio ao governo iraquiano: na justa distribuição de fundos por todas as regiões do país, na erradicação do sectarismo - particularmente na polícia - e no "melhor equipamento do exército do país".

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