Blair se diz ´enojado´ com a visita de Chávez à Inglaterra

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, iniciou sua polêmica visita ao Reino Unido, com fortes críticas aos Estados Unidos e um alerta que se o Irã for atacado o barril de petróleo poderá atingir "os US$ 100 dólares ou mais".Cerca de 800 pessoas portando bandeiras da Venezuela participaram no domingo a noite de um animado ato público de apoio ao líder venezuelano realizada no bairro de Camden, na região norte da capital, e organizada pelo prefeito, Ken Livingstone. Uma mulher na platéia gritou: "We love you". Chávez surpreendeu ao responder em inglês: "We love you very much".O presidente discursou durante três horas e meia, concentrando seus ataques aos Estados Unidos. Segundo ele, o governo norte-americano não sabe o que fazer no Iraque, que chamou de "o Vietnã do século 21". Ele fez um relato sobre a história revolucionária na América Latina e lembrou que seu ponto de referência , Simon Bolívar, havia visitado Londres em 1810. "Algumas vezes eu sou um terrorista de acordo com Washington, ou uma cara que realiza golpes militares", disse Chávez. "Mas tudo o que fizemos foi participar de um movimento revolucionário, que é o que estamos fazendo agora."A visita de Chávez está gerando uma enorme atenção nos meios de comunicação britânicos. Há um grande interesse pelo líder da crescente onda de "nacionalismo" e "populismo" na América Latina. Além disso, há o desconforto diplomático criado pela viagem. Chávez está visitando Londres em caráter pessoal e não vai se encontrar com o primeiro ministro Tony Blair. Segundo relatos da imprensa britânica, Blair teria dito "estar enojado" com a visita do líder venezuelano. Chávez, no passado, se referiu a Blair como um "peão do imperialismo". Na manifestação de ontem, Chávez não mencionou o primeiro ministro. A ironia é que na última vez que visitou a Inglaterra, em 2001, Chávez havia tomado chá com a rainha Elizabeth II e se reunido com Blair.A agenda de Chávez nesta segunda-feira em Londres inclui um encontro com o prefeito Livingstone e uma palestra na tradicional Canning House, uma das principais entidades de análise de política externa do Reino Unido.

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